Abin alerta sobre pressão dos EUA nas eleições e economia brasileira; entenda as relações pós-alerta
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) emitiu um alerta sobre o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. Um relatório reservado aponta para uma tendência de escalada da pressão americana sobre o Brasil, detalhando ações que vão desde a esfera eleitoral até medidas econômicas e políticas.
O documento, encaminhado a altas esferas do governo brasileiro, incluindo a Presidência da República, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Justiça, detalha as preocupações da inteligência nacional. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil.
Segundo a Abin, a possibilidade de interferência externa é classificada com um “nível de criticidade” elevado. O relatório contextualiza a situação como parte de uma estratégia para reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina, visando afastar “rivais” como a China de ativos estratégicos e riquezas naturais da região. Conforme informação divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela TV Brasil, a avaliação da Abin indica uma intensificação das ações americanas contra o Brasil nos últimos meses.
Relação Lula-Trump: “Química” e tensões diplomáticas
A relação entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump é marcada por uma aparente “química” pessoal, descrita pelo próprio Trump após um breve encontro em 2025. No entanto, essa proximidade pessoal não se traduziu em uma relação diplomática ou econômica isenta de atritos. O governo brasileiro tem buscado manter as boas relações, apesar das críticas às ações americanas.
Desde abril de 2025, o Brasil tem enfrentado a imposição de tarifas de exportação para produtos vendidos aos Estados Unidos. Inicialmente, as tarifas eram de 10%, mas aumentaram significativamente. Em 30 de julho de 2025, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva declarando o Brasil uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”, elevando a tarifa para 50%.
Tarifas e sanções: justificativas e impactos
Uma das justificativas para o aumento das tarifas foi a atuação da Justiça brasileira em limitar a atuação de redes sociais como a Rumble e o X (antigo Twitter), que são associadas a aliados de Trump. O Supremo Tribunal Federal (STF) fundamentou essas restrições na necessidade de combater discursos de ódio e ataques à democracia. Outro ponto levantado pelo governo americano foi a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, vista pelos EUA como uma perseguição política.
Além das tarifas, os Estados Unidos aplicaram a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do STF, e sua esposa. Essa lei prevê o bloqueio de contas e ativos nos EUA, além de impedir transações com empresas americanas no Brasil e a entrada no país. Ministros do STF como Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes também tiveram seus vistos americanos cancelados na ocasião. Em dezembro de 2025, Alexandre de Moraes e sua esposa foram retirados da lista.
O papel de Eduardo Bolsonaro e a reviravolta nas tarifas
O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, foi aos Estados Unidos argumentando ser perseguido político e celebrou as medidas americanas contra o Brasil. Ele foi denunciado por coação no curso do processo e condenado pelo STF em junho de 2026, perdendo o mandato de parlamentar. Em fevereiro do mesmo ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas globais impostas por Trump, considerando que a medida feria os poderes do Congresso. O governo americano foi obrigado a devolver bilhões de dólares arrecadados ilegalmente.
Apesar da decisão judicial, os EUA continuaram a aplicar tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, uma sobretaxa de 25% atingiu 19% das exportações brasileiras, sob a alegação de “práticas desleais”. Argumentos incluíam o uso do PIX, a regulação de redes sociais, desmatamento ilegal e acordos comerciais. Posteriormente, uma nova tarifa de 12,5% foi aplicada sob o pretexto de que o Brasil não impede a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Atualmente, parte dos produtos exportados pode ser tributada em até 37,5%.
Designação de facções e revogação de visto diplomático
Em maio de 2026, os EUA designaram as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro tentou evitar essa medida, temendo ações militares ou sanções severas. Especialistas apontam que essa classificação pode, paradoxalmente, atenuar punições para crimes como narcotráfico e lavagem de dinheiro.
Em 4 de agosto de 2026, os EUA anunciaram a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A justificativa foi a demora na aprovação diplomática do indicado de Trump para a embaixada americana no Brasil. O governo brasileiro rebateu, afirmando que os EUA feriram a Convenção de Viena ao divulgar o nome do indicado antes da anuência do país anfitrião.
Diálogo contínuo apesar das tensões
Apesar das críticas, o presidente Lula mantém comunicação com Donald Trump. Eles já se encontraram em eventos internacionais e conversaram por telefone diversas vezes. Em maio de 2026, Lula buscou explicar a Trump o superávit comercial do Brasil e a inexistência de “prática desleal”, apresentando documentos e acordando uma mesa de negociação. Na ocasião, também expôs medidas contra o crime organizado para evitar a designação de facções como terroristas.
Em abril de 2026, Brasil e EUA anunciaram um acordo de cooperação para combater o tráfico internacional de armas e drogas. A última conversa telefônica entre os presidentes, em agosto, durou 1h20, com o objetivo de retomar negociações comerciais e discutir contenção de conflitos internacionais. Ambos estarão presentes na 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, onde o Brasil abre o debate geral, seguido pelo discurso do presidente americano, mas nenhum encontro bilateral está marcado.
