Brics: Cúpula na Índia reforça defesa de reforma global e expansão do banco, com olhar no Sul Global
Líderes do Brics divulgaram a declaração final da 18ª Cúpula do grupo, realizada em Nova Delhi, na Índia. O documento abrange consensos sobre governança global, comércio, desenvolvimento sustentável, clima, tecnologia, segurança internacional e cooperação entre países em desenvolvimento. O bloco, que agora inclui Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, representa uma parcela significativa da economia mundial, população e comércio global.
A declaração possui caráter político e visa orientar a atuação conjunta dos países em organismos multilaterais, como a ONU e a OMC. Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e debates sobre a reforma das instituições internacionais, o texto enfatiza a defesa do **multilateralismo** e de uma governança global mais representativa. A informação é baseada no conteúdo divulgado sobre a Cúpula do Brics.
O documento também destaca o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, como um instrumento estratégico para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. O NDB busca ampliar sua capacidade de mobilizar recursos, expandir operações em moedas locais e apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades e à integração econômica. Há um forte incentivo para a expansão do número de membros do banco.
Novo Banco de Desenvolvimento e Mecanismos de Pagamento em Foco
Os líderes do Brics ressaltaram o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) no financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. A declaração incentiva o banco a ampliar sua capacidade de mobilizar recursos, expandir operações em moedas locais e diversificar fontes de financiamento. Além disso, o documento manifesta apoio à ampliação do número de membros do banco e ao lançamento de um portal de conhecimento para compartilhar experiências e boas práticas.
No que tange aos mecanismos de pagamento, o texto do Brics defende princípios como a interoperabilidade de plataformas, o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços e o aumento das liquidações comerciais em moedas locais. Embora não mencione diretamente o Pix, a declaração sinaliza o desenvolvimento de mecanismos mais rápidos, baratos e eficientes para transações internacionais, alinhados aos objetivos de **integração econômica**.
Brasil na Agenda do Brics: ONU e Combate à Desigualdade
Um dos pontos de maior interesse para o Brasil na declaração final do Brics é o reforço na defesa de uma **reforma da ONU** e do Conselho de Segurança. A diplomacia brasileira historicamente prioriza a ampliação da representatividade dos países em desenvolvimento nesses organismos internacionais. A declaração sustenta que as instituições globais precisam refletir melhor a realidade atual.
China e Rússia reiteraram seu apoio às aspirações de Brasil e Índia de desempenharem um papel mais relevante nas Nações Unidas, especialmente em um Conselho de Segurança reformado. O texto afirma: “Reiteramos nosso apoio a uma reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança, com o objetivo de torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, além de ampliar a representação dos países em desenvolvimento em sua composição”.
Outro tema de relevância para o governo brasileiro é a ênfase no **combate à desigualdade**. Os líderes do Brics reconhecem que as desigualdades, tanto dentro quanto entre os países, são a raiz de diversos desafios enfrentados pela comunidade internacional. Essa preocupação com a redução das disparidades sociais e econômicas permeia as discussões do bloco.
O Papel do Sul Global e a Cooperação Econômica e Comercial
A declaração do Brics destaca o papel crucial do chamado **Sul Global** na formulação de respostas aos desafios internacionais, como a desaceleração econômica, o protecionismo e as mudanças climáticas e tecnológicas. Os líderes reafirmaram o compromisso com a Agenda 2030 da ONU e a erradicação da pobreza como prioridade global.
Há também um forte posicionamento em favor do combate ao racismo, à xenofobia e à discriminação, com a menção explícita à necessidade de intensificar a luta contra essas mazelas e suas manifestações contemporâneas, incluindo o aumento de discursos de ódio e da desinformação. O texto ainda pede maior representação de mulheres em postos de liderança em organismos internacionais.
Na área econômica e financeira, o Brics reafirmou o compromisso de aprofundar a cooperação entre os países-membros para promover **crescimento sustentável**, inovação e redução das desigualdades. No campo comercial, os líderes reafirmaram apoio à reforma da OMC e à preservação de um sistema multilateral de comércio baseado em regras, criticando medidas protecionistas.
O documento prevê iniciativas para ampliar o comércio entre os países do bloco, como o fortalecimento das cadeias globais de valor, a facilitação do comércio agrícola intrabloco, a digitalização de documentos comerciais, a ampliação da cooperação logística e a criação de uma plataforma de comercialização de grãos, a Brics Grain Exchange. Essas ações visam fortalecer a **integração econômica** e o comércio entre as nações membros.
