Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026 às 14:11
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PGR pede quebra de sigilo em processo sobre pagamentos de ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado a Moraes

PGR defende acesso a processo sigiloso envolvendo pagamentos de ex-banqueiro Daniel Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da retirada do sigilo de um processo que investiga a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. A solicitação surge em um momento de crescente tensão e debates sobre transparência dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido da PGR atende a uma solicitação do ministro Alexandre de Moraes, que enviou um ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, destacando a importância de se quebrar o sigilo da petição. Fachin, antes de tomar uma decisão, requisitou o parecer da PGR, que agora se posiciona pela abertura do acesso para uma compreensão completa do caso.

O vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho, ressaltou em sua manifestação que a quebra do sigilo é fundamental para que se possa “compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve”. A decisão ocorre às vésperas de um julgamento importante no Supremo, marcado para esta terça-feira (15), que analisará a abertura de uma investigação contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Investigações e sigilo no STF

Até o momento, o STF já levantou o sigilo de 53 linhas de investigação decorrentes da Operação Compliance Zero. Esta operação apura supostos casos de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Daniel Vorcaro. No entanto, a petição mais recente, focada nos pagamentos do ex-banqueiro, permanece sob sigilo.

A PGR informou, em sua manifestação, que sequer tinha conhecimento da existência deste processo específico, pois ele “não aparece visível à PGR no sistema do STF”. Essa falta de visibilidade gerou questionamentos sobre a condução das investigações e a transparência dos procedimentos internos da Corte.

Mensagens e o julgamento de Moraes

O julgamento desta terça-feira (15) no STF deve analisar um relatório da Polícia Federal (PF) com 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Os investigadores apontam que as mensagens, recuperadas do celular apreendido de Vorcaro, indicam uma relação próxima entre o ex-banqueiro e o ministro.

As mensagens, enviadas entre 2023 e novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro, sugerem que o ex-banqueiro compartilhava com Moraes informações sobre um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes. Em outro trecho, Vorcaro busca informações sobre a operação da PF que resultaria em sua prisão.

Crise institucional e reações

O caso ganhou notoriedade no início de setembro, após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirar o sigilo sobre o material. A divulgação gerou uma crise sem precedentes na Corte, com embates diretos entre os ministros. A PGR chegou a pedir a anulação do relatório de Mendonça, alegando irregularidades na sua produção e a falta de comunicação prévia ao plenário sobre a investigação envolvendo um ministro do STF.

Em resposta às acusações, Alexandre de Moraes divulgou um documento que ele descreveu como um “relatório de inteligência” da PF, sugerindo que as investigações do caso Master poderiam ter sido direcionadas por Mendonça contra desafetos políticos. Contudo, o documento em questão não possui assinatura nem timbre oficial da PF, e sua capa alerta que o material foi produzido como conjectura e “sem valor probatório”.

Diante deste cenário, Moraes solicitou a Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça, sob suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do STF agendou o julgamento deste pedido para o dia 23 de setembro, intensificando ainda mais as tensões internas no Supremo.

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