Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026 às 22:16
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Cúpula do BRICS na Índia: Tensão Irã-Emirados Árabes Ameaça Coesão do Bloco Expandido

Índia Sedia Cúpula do BRICS com Desafios de Unidade e Tensão no Oriente Médio

A Índia será o palco da Cúpula dos Líderes do BRICS neste fim de semana, um encontro crucial que busca fortalecer a influência global do bloco. No entanto, a reunião ocorre em um momento delicado, marcado pela guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Irã, que tem gerado divisões significativas entre seus membros, especialmente entre Teerã e Abu Dhabi, que se encontram em lados opostos do conflito.

A cúpula, agendada para os dias 12 e 13 de setembro em Nova Delhi, acontece mais de seis meses após os ataques de EUA e Israel contra o Irã, membro do BRICS desde 2024. Essa escalada de tensões resultou no fechamento virtual do Estreito de Ormuz, um ponto vital para o comércio global de petróleo, elevando os preços do barril para mais de US$ 100. Essa situação impacta diretamente a economia mundial e a coesão do bloco.

Os Emirados Árabes Unidos, também membro do BRICS, suspenderam todas as transações comerciais e financeiras com o Irã em agosto, após serem atingidos por mísseis iranianos. Essa medida evidencia a profundidade da crise e o desafio de encontrar um consenso dentro do BRICS. Especialistas em política externa apontam que o principal obstáculo para o bloco será a elaboração de uma declaração conjunta sobre a crise no Oriente Médio que seja aceitável para ambas as nações. Conforme informação divulgada, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que as diferenças entre Emirados Árabes Unidos e Irã tiveram um “impacto negativo” na “elaboração” de uma declaração conjunta, mas expressou esperança em uma resolução.

Expansão do BRICS e os Novos Desafios

Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o BRICS se expandiu recentemente, incorporando Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Essa ampliação reflete a ambição do bloco de representar um Sul Global mais coeso e influente. No entanto, a inclusão de novos membros com interesses geopolíticos divergentes, como o Irã e os Emirados Árabes Unidos, apresenta desafios significativos para a tomada de decisões baseada em consenso. Michael Kugelman, pesquisador sênior do Atlantic Council, comentou que “alguns dos novos membros dos BRICS — Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia — estão envolvidos em tensões e não concordam em muitos pontos. Isso é uma má notícia para uma entidade que opera com base no consenso”. Ele acrescentou que “há uma ironia aqui: a expansão do BRICS reflete seu crescente apelo e proeminência. Mas esse mesmo atrativo, devido às visões divergentes dos novos membros, pode tornar o grupo menos eficaz.”

Presença de Líderes e Expectativas para a Cúpula

A cúpula contará com a presença de figuras importantes como o presidente chinês, Xi Jinping, em sua primeira visita à Índia em sete anos, o que sinaliza a importância que Pequim atribui ao BRICS. O presidente russo, Vladimir Putin, o iraniano Masoud Pezeshkian, o sul-africano Cyril Ramaphosa, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o indonésio Prabowo Subianto também são esperados, assim como o secretário-geral da ONU, Antóntio Guterres. Os Emirados Árabes Unidos serão representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

Busca por Declaração Conjunta e o Papel das Sanções

A busca por uma declaração conjunta que aborde a crise no Oriente Médio é um dos pontos centrais da reunião. Apesar das dificuldades, há otimismo inspirado pelo sucesso recente da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), onde os membros conseguiram chegar a um texto comum sobre o conflito com o Irã, aceitável para países com posições divergentes. O ex-diplomata indiano Rajiv Bhatia destacou que “houve um avanço significativo em Bishkek, na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai”, onde mesmo com membros pró-EUA, “eles conseguiram chegar a uma formulação que fosse aceitável para todas as partes”. Especialistas também apontam que o protecionismo e as políticas tarifárias unilaterais dos EUA, sob a administração de Donald Trump, criam um terreno comum para a união dos países do BRICS. Essa união pode se manifestar em reuniões bilaterais ou trilaterais entre os líderes, fortalecendo o bloco contra políticas economicamente debilitantes, como as sanções ocidentais.

O Futuro do BRICS em um Cenário Global Instável

A capacidade do BRICS de superar as divergências internas e apresentar uma frente unida será crucial para sua relevância no cenário geopolítico atual. A expansão do bloco, embora um sinal de sua crescente influência, também trouxe consigo a complexidade de gerenciar interesses nacionais distintos. A cúpula na Índia servirá como um teste para a resiliência e a capacidade de adaptação do BRICS, demonstrando se o bloco emergente pode, de fato, se consolidar como uma força influente em um mundo cada vez mais multipolar. A participação de Xi Jinping e a possibilidade de encontros bilaterais à margem da cúpula, como uma potencial reunião com Vladimir Putin antes de sua viagem aos EUA, adicionam camadas de intriga e expectativa ao evento.

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