Sábado, 29 de Agosto de 2026 às 23:34
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Asma: Caminhar 7.500 Passos Diários é Tão Eficaz Quanto Treino Aeróbico para Controle da Doença, Revela Estudo da USP

Nova pesquisa da USP demonstra que um estilo de vida mais ativo, com foco em caminhadas diárias, pode ser tão benéfico quanto o treinamento aeróbico estruturado para o controle da asma.

Para quem convive com a asma moderada a grave, a notícia é animadora: aumentar o número de passos diários pode ser tão eficaz quanto sessões intensas de treino aeróbico para manter a doença sob controle. Esta descoberta vem de um estudo inovador liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Pulmonology.

A pesquisa aponta que ambas as abordagens, tanto o aumento de passos quanto o treino aeróbico, promovem melhorias significativas na qualidade de vida, reduzem sintomas de ansiedade e depressão e auxiliam no controle da asma a médio prazo. Isso oferece aos médicos e pacientes alternativas não farmacológicas mais flexíveis e acessíveis.

O estudo é fruto do doutorado de David Halen Araújo Pinheiro, fisioterapeuta da FM-USP, e contou com o apoio de instituições de fomento à pesquisa como a FAPESP e o CNPq. Esses resultados podem mudar a forma como o tratamento complementar da asma é abordado, incentivando um estilo de vida mais ativo.

Caminhada Diária: Um Aliado Poderoso no Controle da Asma

Um estudo anterior já indicava que atingir a marca de 7.500 passos por dia estava associado a um melhor controle clínico da asma. Com base nisso, a nova pesquisa buscou comparar os efeitos do aumento de passos com o treinamento aeróbico tradicional. A pesquisa envolveu 52 pacientes com asma moderada a grave não controlada, que foram divididos aleatoriamente em dois grupos.

Um grupo participou de treinamento aeróbico supervisionado duas vezes por semana, com sessões de 45 minutos em esteira ergométrica. O segundo grupo recebeu orientações e incentivos para aumentar a prática de caminhadas, com o objetivo de atingir um número maior de passos diários, e recebeu um smartwatch para monitoramento. Ambas as intervenções duraram oito semanas.

Os participantes, com idades entre 18 e 65 anos, apresentavam em sua maioria sobrepeso ou obesidade e sintomas de ansiedade e depressão, além de baixa qualidade de vida. A avaliação dos resultados foi feita antes, logo após as intervenções e quatro meses depois, para verificar a manutenção dos benefícios.

Resultados Surpreendentes: Caminhar é Tão Eficaz Quanto Exercício Estruturado

Os resultados mostraram que ambos os grupos apresentaram melhora no controle dos sintomas respiratórios, e esse benefício se manteve por quatro meses após o término das intervenções. David Halen Araújo Pinheiro destaca que nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra em termos de eficácia clínica.

“Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”, afirma Pinheiro. Ele complementa, “Entretanto, o treinamento aeróbico requer um aparato maior e precisa ser supervisionado. Já com uma simples caminhada, ao aumentar o número diário de passos, o paciente tende também a controlar a doença e obter outros benefícios, como, por exemplo, a melhora da qualidade de vida e a redução dos sintomas de ansiedade e depressão.”

A Importância de Manter a Atividade Física no Dia a Dia

Após os dois meses de intervenção, os pesquisadores observaram que os pacientes do grupo de treinamento aeróbico muitas vezes aderiram a academias, enquanto os do grupo de intervenção comportamental mantiveram a caminhada em suas rotinas. No entanto, a variação climática foi apontada como um dos principais motivos para a descontinuidade da prática por alguns participantes.

O estudo registrou um aumento médio de 1.537 passos por dia no grupo de treinamento aeróbico no pós-intervenção, que diminuiu para 983 passos no acompanhamento de quatro meses. Já o grupo de intervenção comportamental teve um aumento de 1.126 passos diários logo após o programa, que se manteve em 996 passos no acompanhamento. Curiosamente, no follow-up, o grupo de intervenção comportamental registrou um número ligeiramente maior de passos.

Tratamento Contínuo e Complementar

É fundamental ressaltar que tanto o aumento de passos quanto o treinamento aeróbico são considerados complementos ao tratamento medicamentoso da asma, e não substitutos. O uso contínuo da medicação prescrita pelo médico, conforme as diretrizes da Iniciativa Global para a Asma (Gina), é essencial para o manejo da doença.

“Tanto o treinamento aeróbico como a intervenção são um complemento da medicação. Não podemos jamais parar de fazer uso do tratamento que o médico prescreve”, reforça Pinheiro. A pesquisa, portanto, oferece ferramentas valiosas para que pacientes com asma possam gerenciar sua condição de forma mais ativa e integrada ao cotidiano.

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