Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026 às 14:29
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Brasil firma acordo com a Índia e reabre negociações comerciais com os EUA em busca de novos mercados e tarifas mais baixas

Brasil busca diversificar parceiros comerciais e renegociar tarifas com os EUA para impulsionar a economia nacional.

Em uma estratégia dual para fortalecer o comércio exterior, o Brasil assinou um importante memorando de entendimento com a Índia nesta quinta-feira (27). O acordo, firmado entre a ApexBrasil e a Confederação das Indústrias Indianas, tem como objetivo aproximar empresas, atrair investimentos e gerar novas oportunidades de negócios entre as duas nações.

Essa iniciativa ocorre em um momento crucial, com o governo federal trabalhando para mitigar os efeitos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Paralelamente à busca por novos mercados, o Brasil se prepara para retomar as negociações comerciais com o país norte-americano, buscando um cenário mais favorável.

A próxima etapa desse diálogo com os EUA está agendada para a próxima segunda-feira (31), com uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Mário Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O chanceler Mauro Vieira também participará do encontro. Conforme informações divulgadas, essa aproximação com a Índia e a retomada das conversas com os EUA são pilares da estratégia econômica brasileira atual.

Parceria estratégica com a Índia para impulsionar o comércio bilateral

O memorando assinado em Brasília prevê o intercâmbio de informações sobre os mercados de ambos os países, o compartilhamento de boas práticas empresariais, a promoção conjunta de feiras comerciais e o incentivo à internacionalização de pequenas e médias empresas. Embora o acordo não crie obrigações legais diretas, ele estabelece uma base institucional sólida para a colaboração.

A meta ambiciosa é que o comércio bilateral entre Brasil e Índia alcance **US$ 20 bilhões até 2030**. No ano passado, as exportações brasileiras para a Índia registraram quase US$ 7 bilhões, o maior valor em duas décadas, enquanto as importações brasileiras de produtos indianos superaram US$ 8,4 bilhões. Atualmente, a Índia é o décimo principal destino das exportações brasileiras.

Diversificação de mercados como diretriz governamental

O ministro Mário Elias Rosa destacou que a diversificação de parceiros comerciais é uma diretriz fundamental do governo federal diante do cenário internacional. Ele ressaltou que a necessidade de acessar novos mercados é crescente, e a Índia representa um exemplo de expansão significativa, com um crescimento espetacular na relação comercial, que aumentou **82% nos últimos anos**.

O governo brasileiro também pretende expandir o acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia, que atualmente abrange 450 linhas de produtos. A ApexBrasil identificou **378 oportunidades para produtos brasileiros** no mercado indiano, com foco em setores estratégicos como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos.

Exploração de minerais críticos e apoio ao agronegócio

Um dos eixos de interesse na cooperação com a Índia é a exploração de minerais críticos. O Brasil busca ampliar parcerias internacionais nessa área, mas com o compromisso de associar os projetos ao desenvolvimento de tecnologia nacional. O ministro Rosa afirmou que o Brasil deseja ter parcerias para a exploração desses minerais com todos os países, sem favorecer ou prejudicar nenhum.

Essa aproximação também é vista como uma oportunidade para o agronegócio brasileiro, que busca consolidar sua presença em mercados internacionais e reduzir a dependência de poucos destinos de exportação. A estratégia visa fortalecer a competitividade e a resiliência do setor.

Retomada das negociações com os Estados Unidos em busca de tarifas mais justas

Enquanto aprofunda laços com a Índia, o governo brasileiro se prepara para a primeira reunião com representantes dos Estados Unidos após a imposição de novas tarifas. Segundo o ministro Mário Elias Rosa, a conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump foi decisiva para a reabertura das negociações, sem a necessidade de concessões unilaterais prévias por parte do Brasil.

Na reunião virtual, poderão ser discutidas listas de exceções tarifárias e a aplicação da Lei de Reciprocidade. O governo brasileiro reafirma seu compromisso em adotar medidas para proteger as empresas nacionais afetadas pelas sobretaxas, incluindo o programa Brasil Soberano. O ministro expressou otimismo, afirmando que defenderá os interesses brasileiros com firmeza, buscando um diálogo difícil, mas produtivo, sem propor nada que prejudique a economia nacional.

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