Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026 às 12:50
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Galípolo alerta sobre pressões de empresas que querem usar o FGC para captar recursos de varejo sem garantias suficientes

Galípolo critica empresas que buscam usar o FGC sem lastro adequado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação com a crescente pressão de instituições não bancárias para utilizarem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de recursos de varejo. Ele ressaltou que muitas empresas, mesmo as de médio porte, almejam operar de forma similar aos bancos, usufruindo das garantias oferecidas pelo FGC, mas frequentemente não possuem ativos que justifiquem tal operação.

“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, declarou Galípolo. A crítica se fundamenta no desequilíbrio competitivo gerado quando essas empresas buscam competir com grandes instituições, mas sob regras mais flexíveis.

Galípolo explicou que bancos operam em um modelo de negócio intrinsecamente arriscado, que envolve captar dinheiro a um custo menor do que o praticado nos empréstimos. Mesmo com uma gestão financeira eficiente, bancos estão sujeitos a falhas devido a fatores como o aumento da inadimplência, desempenho econômico desfavorável ou a necessidade de liquidez em momentos de crise. É nesse cenário que o FGC desempenha um papel crucial como mecanismo de estabilização do sistema financeiro.

A importância do FGC para a estabilidade financeira

O Fundo Garantidor de Crédito, criado em 16 de novembro de 1995, tem como objetivo principal proteger pequenos investidores e garantir a estabilidade do sistema financeiro, especialmente em momentos de instabilidade econômica. O fundo é financiado pelas contribuições das próprias instituições financeiras associadas, atuando como um pilar de segurança para os depositantes e investidores.

Ao longo de seus 30 anos de história, o FGC demonstrou sua relevância em momentos cruciais, como durante o Plano Real e a crise financeira global de 2008, ao proporcionar segurança aos correntistas e investidores. Essa proteção é fundamental para manter a confiança no sistema financeiro, incentivando a poupança e o investimento.

Impacto recente e limites de cobertura do FGC

Recentemente, o FGC esteve envolvido no reembolso de investidores e correntistas de instituições afetadas por fraudes, como no caso do Banco Master. As indenizações nesse caso totalizaram aproximadamente R$ 40,6 bilhões, cobrindo as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após esse evento, o FGC implementou um plano de emergência para recompor suas reservas, incluindo um aumento de até 60% nas contribuições adicionais das instituições associadas.

O funcionamento padrão do FGC prevê o reembolso de depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro. Adicionalmente, existe um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ a cada período de quatro anos. Essas regras visam assegurar a proteção dos investidores e a solidez do sistema financeiro nacional.

Exposição comemora 30 anos do FGC

As celebrações de 30 anos do FGC incluíram a inauguração da exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”. A mostra, que ficará disponível até 30 de setembro na sede da B3, em São Paulo, detalha a trajetória do fundo, suas transformações ao longo das décadas, seu funcionamento e o impacto gerado na economia brasileira.

A exposição serve como um importante meio de educação financeira e de conscientização sobre o papel vital que o FGC desempenha na proteção dos cidadãos e na manutenção da estabilidade do sistema financeiro, especialmente em um cenário econômico em constante evolução e sujeito a diversas volatilidades.

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