Sexta-feira, 31 de Julho de 2026 às 08:51
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Rede Elétrica Resiliente: Entenda Por Que Investimento das Concessionárias é Crucial Após Ventos Fortes no RJ e SP

Por que a rede elétrica falha em temporais? Entenda os custos e soluções

Fortes ventos e tempestades recentes em São Paulo e no Rio de Janeiro deixaram milhares de pessoas sem energia, reacendendo o debate sobre a resiliência da rede elétrica. A infraestrutura atual, em grande parte aérea, mostra-se vulnerável a eventos climáticos extremos, gerando transtornos e prejuízos para a população.

A falta de luz prolongada afeta o cotidiano, impactando desde o congelamento de alimentos até a impossibilidade de trabalhar em casa. Moradores relatam a dificuldade em obter informações sobre o retorno do fornecimento, aumentando a sensação de desamparo diante da situação.

Especialistas ouvidos pela reportagem indicam que a solução para uma rede elétrica mais resiliente passa por investimentos significativos, que deveriam ser arcados pelas concessionárias. Medidas como a fiação subterrânea e a manutenção preventiva das redes aéreas são apontadas como essenciais.

Fiação subterrânea: uma solução custosa, mas mais segura

Tornar a rede elétrica mais resiliente a ventos fortes, como os que atingiram o Rio de Janeiro e São Paulo, é possível, mas exige um custo elevado. Segundo o professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, a fiação subterrânea é uma alternativa mais segura, mas com um investimento que pode ser de sete a dez vezes maior que o da linha aérea.

“Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco”, afirma Watanabe. Ele explica que bairros com instalações subterrâneas enfrentam menos problemas em eventos de intempéries, enquanto a rede aérea se mostra mais vulnerável a quedas de árvores e outros fatores climáticos.

Manutenção e planos de contingência: responsabilidade das concessionárias

A responsabilidade pelos investimentos em infraestrutura mais resiliente recai sobre as concessionárias de energia. O professor Watanabe ressalta que é fundamental que elas atuem proativamente, investindo em manutenção e modernização da rede. “Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior”, alerta.

Leandro Torres, especialista em desastres da UFRJ, complementa que, além de investimentos em infraestrutura, é crucial que as concessionárias desenvolvam planos de contingência robustos. Estes planos devem prever cenários de ameaças diversas, como vendavais, inundações e até ataques cibernéticos, e definir ações para mitigar seus impactos.

O que dizem os especialistas sobre a situação atual

Leandro Torres pondera que a substituição total da rede aérea pela subterrânea pode não ser a única solução, pois pode ser economicamente inviável e apresentar outros desafios, como problemas em caso de inundações e furtos. Ele enfatiza a necessidade de um planejamento estratégico para lidar com eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos, especialmente com a previsão de um El Niño forte.

“Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação até um metro ou dois metros de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?”, questiona Torres, destacando a importância de simulações e preparo para diversas eventualidades.

Relatos de consumidores e a falta de previsão de retorno

A falta de energia tem gerado grande insatisfação entre os consumidores. Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, relata que está sem luz desde a tarde de quarta-feira e não tem previsão para o retorno. “É um transtorno muito grande ficar sem energia”, desabafa.

Rico Vilarouca, designer que trabalha em casa em Santa Teresa, também sofre com a interrupção do serviço, que se repete em períodos de chuva e vento forte. Ele lamenta a falta de preparo da cidade para lidar com eventos climáticos extremos: “A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade”.

Concessionárias como Light e Enel informaram que equipes estão mobilizadas para normalizar o fornecimento, mas milhares de residências e estabelecimentos continuavam sem energia na quinta-feira, evidenciando a urgência de investimentos em uma rede elétrica mais resiliente.

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