Terça-feira, 21 de Julho de 2026 às 14:48
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Acordo Irã-EUA em Frangalhos: Guerra no Oriente Médio Aumenta e Expõe Falhas Diplomáticas

Nova onda de conflitos no Oriente Médio revela colapso no acordo entre Irã e EUA, com ataques contra infraestruturas civis e bases militares.

A recente escalada de tensões no Oriente Médio, marcada por um aumento significativo nos ataques de ambos os lados, lança luz sobre o aparente fracasso do acordo firmado entre o Irã e os Estados Unidos. Desde o fim de fevereiro, a região tem sido palco de uma onda de conflitos que já ceifou a vida de milhares de pessoas, evidenciando a fragilidade da diplomacia diante de interesses estratégicos.

O cenário atual apresenta bombardeios contra infraestruturas civis vitais no Irã, como pontes, hospitais e usinas de dessalinização e produção de combustível, além de um canteiro de obras de uma usina nuclear. Em retaliação, o Irã intensifica seus ataques contra alvos em países do Golfo, incluindo bases militares americanas na Jordânia, Bahrein e Kuwait, e infraestruturas de energia e água nesses locais.

Especialistas em segurança e geopolítica consultados pela Agência Brasil classificam o memorando de entendimento entre EUA e Irã como uma “mentira” ou “manobra diversionista” de Washington. As ações recentes indicam uma profunda desconfiança nas intenções americanas e um jogo de poder que se desenrola em meio à instabilidade regional, conforme divulgado pela Agência Brasil.

Memorando de Entendimento: Uma Ficção Política, Segundo Especialistas

O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, declarou à Agência Brasil que o acordo entre EUA e Irã foi, na verdade, uma “ficção”, sem intenção de cumprimento. Segundo ele, o presidente Donald Trump teria assinado o memorando como uma resposta à iminente crise de abastecimento de diesel, decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz e da baixa nas reservas estratégicas de petróleo americanas.

Costa ressaltou que a execução do memorando por parte dos EUA implicaria a entrega do controle da rota marítima a países “clientes” americanos, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, ao Irã. O especialista enfatiza que o que está em jogo é a própria **hegemonia norte-americana na região**, representando um potencial “fim do império norte-americano”, o que explicaria a escalada da resposta dos EUA.

Jordânia Torna-se Alvo Estratégico em Meio à Escalada

Ali Ramos, cientista político e especialista em geopolítica, aponta que os ataques iranianos contra a Jordânia nesta nova fase da guerra merecem destaque. Ele explica que a Jordânia se consolidou como um **importante hub logístico para a Força Aérea americana**, devido à fragilidade das bases no Golfo. O aeroporto Ben Gurion, em Israel, que funcionaria como um “santuário” por não ser alvo de ataques, também é citado como uma das maiores bases aéreas dos EUA na região.

Ramos também critica a falta de resultados concretos dos EUA em relação aos objetivos anunciados para a guerra, como o fim do programa nuclear iraniano, do programa balístico e do apoio a milícias regionais. Ele descreve a atual estratégia americana como uma **“guerra de terra arrasada”**, exemplificada pelo ataque a uma fábrica de dessalinização que deixou milhares de iranianos sem água, uma ação que, segundo ele, pode conferir mais legitimidade ao regime iraniano.

EUA Sem Nova Estratégia Clara na Guerra Contra o Irã

O major-general Agostinho Costa reitera a falta de uma estratégia clara por parte dos Estados Unidos para lidar com a nova fase do conflito. Ele observa que os EUA repetem campanhas de bombardeio aéreo que já se mostraram ineficazes desde fevereiro, optando por uma abordagem que não envolve invasão terrestre, mas que também parece incapaz de resolver um problema estratégico de tamanha magnitude com um país como o Irã.

Por outro lado, Costa avalia que as **capacidades ofensivas do Irã permanecem robustas**, contrariando as alegações do governo americano. Ele descreve a situação atual como uma “gestão da escalada do conflito”, onde ainda há espaço para novas elevações da tensão, indicando que um impasse total ainda não foi alcançado, mas que a capacidade para escalar o conflito persiste.

Objetivos da Guerra e o Futuro do Estreito de Ormuz

Analistas consultados pela Agência Brasil sugerem que as agressões de Israel e EUA contra o Irã, tanto em junho de 2025 quanto a partir de fevereiro deste ano, tinham como objetivo a “troca de regime” no país persa. As motivações incluiriam a contenção da expansão econômica chinesa na região e a consolidação da hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.

Diante do fracasso em derrubar o governo iraniano, os EUA agora declaram buscar a **retomada do status quo da navegação no Estreito de Ormuz**. No entanto, o Irã sustenta que a gestão do estreito, por onde transitava cerca de 20% do comércio global de petróleo antes da guerra, demandará um novo modelo. Esse modelo, segundo o governo iraniano, deverá ser definido principalmente pelo Irã e Omã, levando em consideração as necessidades de segurança nacional iraniana.

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