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Zuckerberg no Tribunal: Meta Nega Viciar Jovens, Mas E-mails Revelam Busca por Aumento de Tempo de Tela no Instagram

Zuckerberg Nega Intenção de Viciar Jovens em Redes Sociais, Mas Documentos Apontam para Busca por Engajamento

Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta Platforms, negou veementemente nesta quarta-feira (18) que a empresa desenvolva redes sociais como Facebook e Instagram com o intuito de viciar jovens. Durante um julgamento histórico sobre o vício em redes sociais entre jovens, Zuckerberg afirmou que a Meta **impede o uso de suas plataformas por crianças menores de 13 anos**. No entanto, ele foi confrontado com evidências internas que sugerem uma estratégia diferente.

O caso em questão foi iniciado por uma mulher da Califórnia, que alega ter desenvolvido problemas de saúde mental devido ao uso do Instagram e YouTube desde a infância. Ela sustenta que as empresas lucraram ao criar mecanismos para **viciar crianças**, mesmo cientes dos potenciais danos à saúde mental. A autora do processo busca responsabilizar as companhias pelos danos, incluindo depressão e pensamentos suicidas.

Tanto a Meta quanto o Google negaram as acusações, destacando os esforços para implementar recursos de segurança nas plataformas. Contudo, documentos internos apresentados durante o julgamento pintam um quadro distinto. Um e-mail de 2018 do Instagram afirmava: “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência”. Essa declaração foi usada pelo advogado da autora para questionar Zuckerberg, que rebateu dizendo que o advogado estava “distorcendo” suas falas.

Documentos Internos Revelam Foco em Aumento de Tempo de Tela

O confronto mais acirrado ocorreu quando o advogado Mark Lanier apresentou e-mails de 2014 e 2015, nos quais Zuckerberg estabelecia metas para **aumentar o tempo de uso do aplicativo em dois dígitos percentuais**. Isso contradiz declarações anteriores do CEO ao Congresso dos EUA em 2021, onde ele negou ter instruído equipes a maximizar o tempo gasto pelos usuários nas plataformas.

Zuckerberg defendeu-se afirmando que, embora a empresa tenha tido metas relacionadas ao tempo de uso no passado, essa abordagem **mudou significativamente**. Ele declarou: “Se você está tentando dizer que meu depoimento não foi preciso, discordo veementemente”. No entanto, um documento de 2022 apresentado no julgamento listava “marcos” para o Instagram, incluindo o aumento gradual do tempo de uso diário de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026.

O CEO da Meta minimizou esses números, classificando-os não como “metas”, mas como uma “constatação” para a diretoria administrativa sobre o desempenho da empresa. Ele argumentou que o objetivo é proporcionar uma **boa experiência ao usuário**, e que o aumento do uso é um “efeito colateral” positivo.

Meta Enfrenta Onda de Processos e Repercussão Global

Este julgamento em Los Angeles é parte de uma onda de processos contra empresas de mídia social nos EUA, refletindo uma preocupação global crescente sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens. A Meta enfrenta possíveis indenizações significativas, e um veredicto desfavorável pode **minar a defesa legal da empresa** em casos semelhantes.

Documentos apresentados no processo também incluíam um e-mail do ex-vice-presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, que questionava se os limites de idade das plataformas eram efetivamente aplicados. Zuckerberg respondeu que a verificação de idade é um desafio para os desenvolvedores e que a responsabilidade deveria recair sobre os fabricantes de dispositivos móveis.

Pesquisas internas da própria Meta, reveladas em reportagens investigativas, já indicavam que o Instagram podia afetar negativamente a autoimagem de adolescentes e aumentar a exposição a conteúdos relacionados a transtornos alimentares. Adam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou que desconhecia um estudo recente da Meta que não encontrou ligação entre a supervisão dos pais e o uso de redes sociais por adolescentes.

Regulamentação e Mudanças no Setor em Discussão

O caso contra a Meta, Google (Alphabet), Snap e TikTok serve como um teste para milhares de outras ações judiciais movidas por famílias, distritos escolares e estados nos EUA, que acusam as empresas de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens. A legislação americana, que por anos protegeu as big techs de responsabilidade por conteúdo, agora foca no **design e operação das plataformas**.

A repercussão global já se traduz em ações regulatórias. A Austrália proibiu o acesso a redes sociais para menores de 16 anos, e outros países consideram restrições semelhantes. Nos EUA, a Flórida proibiu o acesso de menores de 14 anos, embora a lei esteja sendo contestada por associações do setor de tecnologia.

A defesa da Meta argumenta que os problemas de saúde da autora do processo têm origem em uma infância conturbada e que as redes sociais serviram como forma de expressão criativa. No entanto, o julgamento representa um marco, sendo a primeira vez que Mark Zuckerberg testemunha em tribunal sobre o impacto do Instagram na saúde mental de jovens, e as decisões tomadas podem **moldar o futuro das redes sociais**.

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