Economia brasileira avança 2,2% em 2025, mas perde fôlego no fim do ano, aponta FGV
A economia do Brasil demonstrou resiliência em 2025, registrando um crescimento de 2,2% em comparação com o ano anterior. Este é o quinto ano consecutivo de expansão, segundo a prévia do Monitor do PIB, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Apesar do resultado positivo, a pesquisa sinaliza uma perda de ritmo nos últimos meses do ano. O consumo das famílias, um dos motores da economia, cresceu 1,5%, enquanto a formação bruta de capital fixo, que reflete os investimentos, apresentou um avanço mais robusto de 3,6%.
As exportações também tiveram um desempenho notável, com alta de 6,2%, superando o crescimento das importações, que foi de 5,1%. Esses dados, compilados a partir de informações da indústria, comércio, serviços e agropecuária, são considerados uma importante prévia do Produto Interno Bruto (PIB) oficial. Conforme informação divulgada pela FGV, os dados do Monitor do PIB são uma prévia do produto interno bruto (PIB).
Investimentos e Comércio Exterior em Alta
A formação bruta de capital fixo (FBCF), que abrange investimentos em máquinas, equipamentos e construções, registrou uma expansão de 3,6% em 2025. Esse indicador é crucial para a capacidade produtiva futura do país. A taxa de investimento da economia alcançou 17,1%, o maior patamar dos últimos três anos, demonstrando um esforço em aumentar a base produtiva.
No comércio exterior, as exportações brasileiras cresceram 6,2% em 2025, enquanto as importações avançaram 5,1%. Esse saldo positivo contribuiu para o desempenho geral da economia, apesar de desafios globais.
Recordes em Valores Monetários e PIB Per Capita
Em termos monetários, o PIB brasileiro em valores correntes atingiu a marca histórica de R$ 12,63 trilhões em 2025. Paralelamente, o PIB per capita, que representa o valor do PIB dividido pela população, alcançou R$ 59.182, também um recorde histórico para o país.
Esses números refletem um aumento na riqueza gerada por habitante, mas a análise da coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, Juliana Trece, alerta para a perda de fôlego da economia. Ela destacou que a taxa de crescimento, ajustada sazonalmente, iniciou o ano com força e terminou estável no quarto trimestre.
Juros Altos e Tarifas Americanas: Os Freios da Economia
De acordo com a economista Juliana Trece, os juros altos foram um dos principais fatores que levaram à perda de força do crescimento econômico em 2025. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic de 10,5% para 15% ao ano entre setembro de 2024 e junho de 2025, em resposta à inflação persistente.
A taxa Selic elevada encarece o crédito e desestimula investimentos e consumo, impactando diretamente a atividade econômica. Esse aperto monetário, embora vise controlar a inflação, tem como efeito colateral a desaceleração da economia e a menor geração de empregos. Contudo, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo o IBGE.
Outro fator apontado por Trece foram as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros a partir de agosto de 2025. Essas taxas adicionais afetaram as vendas externas para o mercado americano, que representavam 22% das exportações brasileiras sujeitas a sobretaxas em novembro. Uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou essa política tarifária recentemente.
Próximos Passos e Comparativo com Outros Indicadores
O Monitor do PIB da FGV é um dos termômetros da economia, complementando outros indicadores como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apontou uma expansão de 2,5% em 2025. O resultado oficial do PIB será divulgado pelo IBGE no dia 3 de março.
A análise sugere que, embora o crescimento de 2,2% em 2025 seja positivo, a desaceleração observada no final do ano, sob o impacto de juros altos e tarifas comerciais, demanda atenção para os próximos períodos econômicos.
