Suprema Corte dos EUA anula tarifas de Trump e abre caminho para renegociações comerciais com o Brasil
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou que está acompanhando de perto a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas globalmente pelo ex-presidente Donald Trump. A medida, que visa restabelecer a segurança jurídica nas relações comerciais, tem potencial para impactar significativamente as exportações brasileiras, gerando tanto otimismo quanto cautela no setor produtivo nacional.
Um estudo preliminar da CNI, baseado em dados de 2024, estima que a suspensão de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros poderia injetar US$ 21,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos. Essa notícia foi recebida com alívio por diversos setores que vinham sendo penalizados pelas políticas tarifárias americanas, como o café, o plástico e o pescado.
A decisão da Suprema Corte especificamente anula tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa). No entanto, outras tarifas, como as relacionadas à segurança nacional (aço e alumínio) e práticas comerciais consideradas desleais, permanecem em vigor, exigindo atenção contínua das entidades brasileiras. Conforme informação divulgada pela CNI, essa reconfiguração da estratégia comercial americana demanda acompanhamento atento.
Setor de Café Celebra Segurança Jurídica e Previsibilidade
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) manifestou apoio à decisão da Suprema Corte, destacando a importância da segurança jurídica e do respeito às competências legais. Pavel Cardoso, presidente da Abic, ressaltou que medidas unilaterais podem gerar incertezas e impactos em toda a cadeia produtiva. Para a indústria do café, um setor globalmente integrado, a previsibilidade e regras claras são fundamentais para garantir estabilidade e investimentos.
Cardoso havia informado anteriormente que a luta para reduzir tarifas sobre o café solúvel continuava, mesmo após a suspensão da tarifa de 40% sobre o café em grão. A decisão da Suprema Corte é vista como um passo importante para restaurar um ambiente comercial mais estável e justo para o setor cafeeiro brasileiro.
Indústria do Plástico e Pescado Veem Oportunidades de Crescimento
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) também acompanha a decisão com atenção, ressaltando que a Suprema Corte entendeu que a imposição de tarifas, nesse caso, era competência do Congresso americano, e não do presidente. A entidade vê um alívio relevante para o Brasil, eliminando parte da imprevisibilidade e reduzindo a pressão tarifária sobre exportações afetadas.
A Abiplast, contudo, alerta que o presidente Trump já anunciou uma nova tarifa global de 10%, com base em outro instrumento legal, o que indica uma reconfiguração da estratégia comercial dos EUA. A associação continua monitorando os desdobramentos dessa nova medida e seus efeitos sobre a indústria brasileira do plástico.
Já a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) recebeu a notícia com otimismo. A entidade projeta um aumento de até 100% nas exportações brasileiras de pescados para os Estados Unidos, caso a queda das tarifas se consolide. A cadeia produtiva da tilápia, um dos principais produtos da piscicultura nacional, deve ser a mais beneficiada.
Têxtil e Confecções Pedem Diálogo e Previsibilidade
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também acompanha a decisão com cautela e monitora os desdobramentos políticos relacionados a novas cobranças tarifárias. A Abit defende o diálogo, a previsibilidade e regras claras no comércio internacional, elementos essenciais para a segurança jurídica e o planejamento das empresas.
A entidade lembra que os Estados Unidos já aplicam tarifas elevadas sobre produtos têxteis e de vestuário brasileiros, e medidas adicionais poderiam comprometer a competitividade e a viabilidade das exportações. A Abit ressalta que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras desse setor.
CNI Reforça Necessidade de Acompanhamento Contínuo
Ricardo Alban, presidente da CNI, enfatizou a importância da parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos e a necessidade de acompanhar a decisão com atenção e cautela. A entidade destaca que, apesar da decisão da Suprema Corte, outras tarifas podem permanecer em vigor, impactando o comércio bilateral. A CNI continuará monitorando de perto os desdobramentos para orientar a indústria brasileira.
