Domingo, 06 de Setembro de 2026 às 07:43
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Osteoporose Silenciosa: Entenda Como a Doença Afeta Homens e Mulheres de Forma Distinta e Saiba os Cuidados Essenciais

Osteoporose: uma inimiga silenciosa que exige atenção e cuidados específicos para homens e mulheres

A osteoporose é uma doença que avança sem dar sinais claros, debilitando a estrutura óssea e tornando-a mais suscetível a fraturas. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais já convivem com a condição, um número que tende a crescer, podendo ultrapassar 40 milhões até 2030.

Compreender as nuances da osteoporose em cada gênero é crucial para um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz. As particularidades hormonais desempenham um papel significativo na forma como a doença se manifesta e progride em homens e mulheres.

Diogo Domiciano, professor da disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelo ambulatório de Osteoporose do Hospital das Clínicas, explica que a osteoporose tem uma relação direta com as alterações hormonais ao longo da vida. Essa conexão é fundamental para entendermos por que homens e mulheres são afetados de maneiras distintas pela perda de massa óssea. Conforme informação divulgada pelo Hospital das Clínicas, a doença é silenciosa e detectada tardiamente.

A influência dos hormônios na saúde óssea

Nas mulheres, a osteoporose está fortemente ligada ao período pós-menopausa. O estrogênio, hormônio feminino essencial para a proteção da massa óssea, tem sua produção drasticamente reduzida durante a menopausa. Essa queda hormonal, que geralmente ocorre por volta dos 50 anos, deixa os ossos femininos mais vulneráveis a perdas progressivas.

Já nos homens, a testosterona também exerce um papel protetor sobre os ossos. No entanto, a diminuição dos níveis desse hormônio tende a ocorrer mais tarde, por volta dos 70 anos de idade, o que pode explicar, em parte, a diferença na incidência e no momento de aparecimento da doença entre os sexos.

Densitometria óssea: a chave para a detecção precoce

Por ser uma doença silenciosa, muitas vezes a osteoporose só é descoberta após uma queda ou uma fratura. O professor Diogo Domiciano ressalta que a densitometria óssea é o exame padrão-ouro para identificar a perda de massa óssea antes que uma fratura ocorra. A recomendação geral é que mulheres com 65 anos ou mais e homens com 70 anos ou mais realizem o exame regularmente, mesmo que não apresentem histórico de fraturas.

Pessoas mais jovens também podem necessitar da densitometria óssea caso possuam fatores de risco. Entre eles, destacam-se o histórico familiar de osteoporose, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o uso prolongado de medicações com corticoide, que podem acelerar a perda óssea.

Sintomas sutis e a gravidade das fraturas

Ao contrário de doenças como artrose e artrite, a osteoporose raramente apresenta sintomas como dores intensas nas juntas ou nos ossos. O sinal mais comum da condição é a ocorrência de uma fratura óssea após um esforço mínimo ou uma queda simples. Uma redução notável na altura, de cerca de 2 a 3 cm, também deve servir de alerta, pois pode indicar uma fratura vertebral causada pela osteoporose, que muitas vezes acontece sem que a pessoa perceba.

As fraturas de quadril são consideradas umas das mais graves complicações da osteoporose, especialmente em idosos. Segundo o professor Diogo Domiciano, o tratamento frequentemente exige cirurgia para a colocação de próteses e pode levar o paciente a um longo período de imobilidade. Isso aumenta o risco de complicações como trombose e pneumonia, além da perda de massa muscular. O primeiro ano após uma fratura de quadril é o período de maior risco, e cerca de 80% dos pacientes não recuperam totalmente sua independência funcional.

Genética e estilo de vida: parceiros na formação óssea

A massa óssea é influenciada tanto pela genética quanto pelo estilo de vida. Estima-se que cerca de 70% da massa óssea seja determinada por fatores genéticos, enquanto os 30% a 40% restantes estão relacionados aos hábitos de vida. Pessoas com histórico familiar de baixa massa óssea podem ter mais dificuldade em atingir um pico ósseo elevado.

Por outro lado, a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, como uma alimentação rica em cálcio e a prática regular de exercícios físicos, desempenha um papel fundamental na formação e preservação da massa óssea ao longo da vida, ajudando a prevenir a osteoporose.

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