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Luto no Candomblé: Aos 106 anos, morre Luiz Bangbala, ogan mais antigo do Brasil e guardião da tradição afro-brasileira

Morre Luiz Bangbala, o mais antigo ogan do Brasil, aos 106 anos, no Rio de Janeiro.

O mundo do Candomblé e da cultura afro-brasileira está de luto. Luiz Bangbala, o ogan mais antigo do Brasil, faleceu na noite do último domingo, 15 de setembro, no Rio de Janeiro, aos 106 anos. Ele dedicou mais de oito décadas de sua vida à preservação e prática das ricas tradições do Candomblé.

O religioso estava internado desde o dia 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, em decorrência de uma infecção nos rins. A notícia de seu falecimento foi comunicada por sua esposa, Maria Moreira, através das redes sociais, onde expressou profunda dor pela perda de seu amado “mestre”.

Luiz Ângelo da Silva, nome de batismo de Bangbala, nasceu em Salvador, Bahia, em 21 de junho de 1919. Foi na capital baiana que ele foi iniciado no Candomblé e assumiu a importante função de ogan, aquele que comanda os atabaques e dita o ritmo sagrado das cerimônias. Posteriormente, mudou-se para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde estabeleceu residência e continuou sua jornada religiosa até o fim de seus dias.

Um legado de mais de oitenta anos de dedicação ao Candomblé

Com uma trajetória que se estende por mais de oitenta anos, Luiz Bangbala se tornou uma figura de imensa relevância. Sua atuação ia além dos ritos, abrangendo a preservação da memória e dos cantos sagrados em língua iorubá, tendo gravado dezenas de álbuns que se tornaram referências.

Bangbala foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro, um movimento que leva a cultura afro-brasileira para as ruas e celebra a ancestralidade. Sua importância foi reconhecida em diversas esferas, incluindo a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República em 2014.

Reconhecimento e homenagem a um guardião da cultura

A grandiosidade de sua contribuição à cultura brasileira foi ainda mais evidenciada em 2020, quando a escola de samba Unidos do Cabuçu o homenageou. Mais recentemente, em 2024, o Centro Cultural Correios dedicou uma exposição à sua vida e obra, reforçando seu papel como um pilar da identidade afro-brasileira.

O babalorixá Ivanir dos Santos o definiu como “o grande griot das nossas tradições”, comparando-o aos contadores de histórias africanos que guardam a memória de seus povos. Essa definição ressalta o papel vital de Bangbala na transmissão de conhecimentos e ritos, tanto nas cerimônias dos orixás quanto nos ritos fúnebres.

O legado de Bangbala como ancestral e inspiração

“Ele nos deixou, mas vai sempre continuar presente aos nossos afazeres, no dia-a-dia dessas práticas”, declarou Ivanir dos Santos. A visão é que Luiz Bangbala agora se une à galeria de ancestrais, continuando a iluminar e inspirar as futuras gerações dentro das casas de Candomblé, dos blocos afros e de toda a vasta cultura que molda o povo afro-brasileiro.

O falecimento de Luiz Bangbala representa uma perda inestimável, mas seu legado, construído ao longo de mais de um século de vida e de dedicação incansável, continuará a ecoar e a guiar muitos corações e mentes. O ogan mais antigo do Brasil deixa uma marca indelével na história e na cultura do país.

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