Presidente Lula participa da Cúpula do G7 na França, com foco em tarifas dos EUA e veto da UE à carne brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a França com a agenda cheia na Cúpula do G7, reunindo as maiores economias do planeta. Esta é a décima vez que Lula participa do evento, que congrega líderes do Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da União Europeia.
A presença de Lula acende a expectativa para possíveis diálogos com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de **tensão comercial** entre os dois países. Há duas semanas, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sinalizou a intenção de taxar em 25% algumas importações brasileiras, alegando práticas comerciais desleais, especialmente relacionadas a sistemas de pagamento eletrônico como o Pix.
O governo brasileiro tem trabalhado para evitar essa tarifação, que pode impactar significativamente a economia nacional. A última reunião entre Lula e Trump ocorreu no início de maio, na Casa Branca, onde foram dadas orientações para a busca de soluções para o impasse comercial. Conforme informações do embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, os contatos com os Estados Unidos seguem de forma intensa.
Divergências comerciais com os EUA em foco
A investigação do USTR, iniciada há um ano, acusa o Brasil de prejudicar empresas americanas de pagamentos eletrônicos, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay, com o Pix. A possível taxação de 25% sobre importações brasileiras é um dos pontos centrais que Lula deve abordar em possíveis conversas com Trump. Apesar de não haver confirmação oficial de um encontro bilateral, a expectativa é alta.
Este encontro, caso ocorra, também será o primeiro após o governo americano designar formalmente facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). O Brasil vinha buscando evitar essa designação, temendo sanções severas e possíveis ações militares dos EUA.
União Europeia e o veto à carne brasileira
Outro ponto crucial na agenda de Lula na Cúpula do G7 é a relação com a União Europeia, que recentemente oficializou a proibição da importação de carnes, miúdos, peixes e mel produzidos no Brasil, com veto previsto para entrar em vigor a partir de 3 de setembro. A decisão europeia, anunciada pouco após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e UE, gerou surpresa e preocupação no governo brasileiro.
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough expressou a surpresa brasileira com a medida e afirmou que o tom da discussão com os europeus será de preocupação, buscando soluções para reverter o veto. A expectativa é que Lula aborde a questão com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, caso haja um encontro bilateral.
Encontro com o Japão e agendas futuras
Na Cúpula do G7, Lula também tem um encontro confirmado com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Este será o primeiro contato oficial entre os líderes e abre a possibilidade de negociações para um futuro acordo entre o Japão e o Mercosul. O evento, presidido pela França, ocorre de 15 a 17 de junho, e também contará com a participação de líderes da Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.
Lula participará de três sessões deliberativas durante o G7. No dia 16, abordará parcerias internacionais para o desenvolvimento, defendendo a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). No dia 17, o foco será o crescimento econômico equilibrado e a reforma da governança global, incluindo instituições como a OMC e a ONU. Ainda no dia 17, haverá um almoço com o tema central da Inteligência Artificial (IA).
