EUA impõem novas sanções a Cuba, mirando o presidente Miguel Díaz-Canel e empresas chave do país.
Os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de sanções econômicas contra Cuba, com foco em empresas dos setores de mineração e turismo, além de atingir diretamente o presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel. As medidas se somam a centenas de outras já em vigor, numa tentativa de pressionar por mudanças no governo cubano.
O Departamento do Tesouro americano incluiu na lista de entidades sancionadas a Amistur Cuba, empresa voltada ao turismo, e a Minera la Victoria, uma joint venture entre a estatal cubana Geominera e a australiana Antilles Gold. A ação reflete a política de Washington de isolar economicamente Havana.
As novas restrições, divulgadas nesta quinta-feira (4), também visam o próprio presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, seu filho, Manuel Anido Custa, e outros funcionários ligados ao governo. A lista inclui ainda descendentes de Raúl Castro, como Alejandro Castro Espin e Raul Alejandro Castro Calis. Conforme informação divulgada pelo Departamento do Tesouro dos EUA, todas as transações envolvendo bens dessas pessoas e entidades designadas, por cidadãos americanos ou dentro do território dos EUA, estão proibidas.
Marco Rubio alerta sobre riscos para empresas estrangeiras
O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, utilizou as redes sociais para alertar que qualquer instituição financeira ou empresa que preste serviços às entidades sancionadas corre o risco de também ser alvo de sanções. Ele declarou que a administração Trump não tolerará regimes marxistas radicais no hemisfério ocidental.
A fala de Rubio, que também mencionou a possibilidade de os EUA cuidarem de Cuba após o Irã, foi criticada pelo governo cubano. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, desmentiu a afirmação de que os EUA não bloqueariam a entrada de petróleo na ilha, citando uma ordem executiva de 2026 que permite tarifas punitivas contra importações de países que fornecem combustível a Cuba.
Cuba reage com firmeza às novas sanções
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu às sanções, classificando as falas de Trump como uma ameaça e criticando as medidas unilaterais que, segundo ele, prejudicam o povo. Ele afirmou que a agressividade americana colidirá com a determinação de Cuba em enfrentar os piores cenários e resistir ao que chamou de ataque imperial.
Bruno Rodríguez, ministro das Relações Exteriores, destacou que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma lista de sanções demonstra um plano de intervenção na ilha. Ele assegurou que qualquer ação dos EUA com o objetivo de criar conflito está fadada ao fracasso e que as ameaças à independência e soberania de Cuba serão enfrentadas com ainda mais união e determinação popular.
O impacto do bloqueio econômico sobre a população
O bloqueio econômico contra Cuba, que já perdura por quase 70 anos, tem sido endurecido pela atual administração da Casa Branca, especialmente após restrições navais impostas à Venezuela. Em janeiro de 2026, a ameaça de sanções a quem vendesse petróleo para Cuba levou o país a ficar três meses sem o fornecimento do combustível.
As medidas adotadas pelos Estados Unidos têm provocado o aumento de apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana, consultados pela Agência Brasil, relataram que este é o pior momento vivido pelo país.
Outras entidades e ministérios sob sanção
Além das empresas e do presidente, outras entidades cubanas foram alvo das sanções americanas. Entre elas estão o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR). O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA reiterou a proibição de todas as transações e negociações que envolvam bens de pessoas designadas ou bloqueadas.
