Dólar despenca e fecha em R$ 4,95, menor patamar em mais de dois anos, enquanto Ibovespa reage positivamente.
O mercado financeiro brasileiro deu um suspiro de alívio no encerramento de abril, com o dólar comercial registrando uma queda expressiva e fechando a R$ 4,952. Este valor representa o menor nível da moeda americana frente ao real desde março de 2024, sinalizando um momento de força para a economia nacional.
A euforia não se limitou à moeda estrangeira. A bolsa de valores brasileira, representada pelo Ibovespa, também surfou a onda positiva, acumulando alta após uma sequência de quedas. O apetite global por risco, especialmente direcionado a economias emergentes como o Brasil, foi um dos principais vetores desse otimismo.
Esse cenário favorável propiciou uma entrada significativa de capital estrangeiro, com investidores trocando dólares por ativos brasileiros, como ações. Conforme informações divulgadas pelo mercado, o dólar comercial fechou a quinta-feira (30) em queda de R$ 0,049, o que representa uma desvalorização de 0,99%.
Real se fortalece e acumula desvalorização de 4,38% em abril
Ao longo do mês de abril, o dólar acumulou uma desvalorização de 4,38% em relação ao real. No acumulado do ano, a queda chega a impressionantes 9,77%, posicionando o real como uma das moedas com o melhor desempenho global no período. Essa performance robusta é reflexo, em grande parte, da perda de força do dólar no cenário internacional.
Além da conjuntura externa, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um pilar fundamental para a valorização do real. Mesmo com o início de um ciclo de cortes na taxa Selic, a taxa básica de juros brasileira permanece em patamares elevados, tornando o país mais atrativo para investidores que buscam maior rentabilidade.
O Federal Reserve, banco central americano, manteve suas taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, ampliando essa diferença em relação aos juros brasileiros, que foram reduzidos para 14,50% ao ano pelo Copom. Essa decisão do Copom, aliás, indicou cautela quanto aos próximos passos, diante de riscos inflacionários, o que também contribuiu para a estabilidade e força da moeda brasileira.
Ibovespa recupera terreno e fecha em alta de 1,39%
O mercado de ações viveu um dia de recuperação, com o índice Ibovespa fechando a quinta-feira cotado a 187.318 pontos, registrando uma alta de 1,39%. Esse ganho foi impulsionado tanto pelo fluxo de investimentos estrangeiros quanto pela reavaliação das expectativas para a política monetária brasileira.
A perspectiva de cortes mais graduais na taxa Selic tem gerado uma percepção de maior estabilidade econômica, o que, por sua vez, tende a favorecer o mercado de ações. Apesar da alta expressiva no dia, o Ibovespa encerrou o mês praticamente estável, após uma sequência recente de quedas que havia corroído parte dos ganhos anteriores.
Indicadores recentes do mercado de trabalho brasileiro reforçaram a resiliência da economia, sugerindo que há menos espaço para cortes agressivos de juros no curto prazo. Essa leitura econômica contribui para um ambiente mais previsível para os investimentos em renda variável.
Petróleo volátil em meio a tensões geopolíticas globais
O comportamento dos preços do petróleo continuou sendo um fator de atenção nos mercados globais. A commodity apresentou forte volatilidade durante o pregão, influenciada pelas crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os preços chegaram a superar os US$ 120 por barril, mas perderam força ao longo do dia.
O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, encerrou o dia praticamente estável em US$ 110,40. Já o barril WTI, negociado nos Estados Unidos, fechou em queda de 1,69%, a US$ 105,07. As oscilações refletem incertezas sobre o fornecimento global, especialmente diante das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além de restrições em rotas marítimas cruciais.
Mesmo com recuos pontuais, os preços do petróleo permanecem elevados, o que exerce pressão sobre a inflação global e influencia as decisões de política monetária dos bancos centrais ao redor do mundo. A dinâmica da commodity é um fator a ser observado de perto pelos investidores no Brasil e no exterior.
