Queda acentuada na frequência a cinemas preocupa setor cultural de São Paulo, aponta levantamento do Seade
Uma pesquisa recente da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) trouxe à tona um cenário preocupante para o setor cultural paulista. O estudo, intitulado “Percepção da população sobre oferta, qualidade e uso dos serviços de cultura”, revela um aumento na parcela da população que não se engajou em nenhuma atividade cultural, passando de 20% em 2018 para 26% em 2025.
Esses dados, que integram uma série de levantamentos iniciados em 2018, visam mapear os hábitos e a percepção dos paulistas sobre os serviços culturais disponíveis. As informações coletadas são cruciais para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas na área da cultura, um direito fundamental garantido pela Constituição.
O levantamento destaca que as salas de cinema foram as mais impactadas, com apenas 35% dos moradores do estado tendo frequentado esses locais no último ano. Esse índice se equipara ao período da pandemia, evidenciando uma **queda expressiva** em relação aos 50% registrados entre 2018 e 2019. A pesquisa atribui parte dessa retração ao crescimento dos serviços de streaming, mas o impacto é sentido diretamente nas bilheterias.
Estabilidade em Outras Frentes Culturais
Em contraste com o cinema, outras atividades culturais mostram maior resiliência. A frequência a bibliotecas, por exemplo, manteve-se estável em 21% desde 2022, embora represente uma diminuição em relação aos 29% de 2018. As visitas a museus continuam na faixa de pouco mais de 30%, um patamar que se mantém desde o início da série de pesquisas.
Shows e espetáculos de diversas naturezas, como música, dança, teatro e circo, também apresentaram pouca variação. Em 2025, 47% da população paulista participou dessas atividades, um número muito próximo dos 50% registrados em 2018 e 2024. Essa estabilidade sugere que outros formatos culturais conseguem reter seu público.
Fatores que Influenciam a Frequência Cultural
A pesquisa do Seade também aponta que características pessoais e geográficas desempenham um papel significativo nos resultados. A diferença na frequência a cinemas entre a capital e o interior é notável, com 46% na capital contra apenas 30% no interior.
A faixa etária também é um fator determinante. Jovens de 18 a 29 anos representam 63% dos frequentadores de cinema, enquanto o público com 60 anos ou mais se limita a 25%. Além disso, a pesquisa indica que a participação em atividades culturais tende a aumentar conforme a renda familiar e a escolaridade se elevam.
O Futuro da Cultura em São Paulo
Os resultados da pesquisa do Seade servem como um importante termômetro para a formulação de políticas públicas na área cultural. Compreender as barreiras que impedem a participação de uma parcela crescente da população é fundamental para garantir o acesso à cultura como um direito para todos.
A busca por novas estratégias para atrair e reter público em cinemas, bem como o fortalecimento de iniciativas em bibliotecas e eventos ao vivo, serão desafios cruciais para o setor nos próximos anos. A diversificação de formatos e a acessibilidade são chaves para um ecossistema cultural vibrante.
