Carnaval sob alerta: metanol em bebidas coloca foliões em risco e estados intensificam fiscalização
A chegada do Carnaval acende um sinal vermelho em diversos estados brasileiros devido ao aumento de casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas. A substância, altamente tóxica, já causou mortes e deixa autoridades em alerta máximo para a prevenção.
Relatos de intoxicação e óbitos associados ao consumo de bebidas adulteradas com metanol têm levado órgãos de saúde a intensificar ações de fiscalização e conscientização. A população é orientada a redobrar a atenção na escolha do que consumir durante as festas.
O perigo do metanol é real e pode ter consequências devastadoras, incluindo cegueira irreversível e morte. Entender os riscos e saber como evitá-los é fundamental para um Carnaval seguro. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e secretarias estaduais de saúde, a preocupação se intensifica com a proximidade das celebrações.
São Paulo lidera casos de intoxicação por metanol
O estado de São Paulo é o mais afetado, com 52 casos confirmados de intoxicação por metanol, resultando em 12 mortes. Outras quatro mortes ainda estão sob investigação. A Secretaria de Estado da Saúde paulista reforça a importância de adquirir bebidas apenas de estabelecimentos regularizados e verificar a procedência dos produtos, alertando para os riscos de itens de origem desconhecida.
Pernambuco e Bahia intensificam a vigilância
Em Pernambuco, foram confirmados oito casos de intoxicação por metanol, com cinco óbitos registrados. A Secretaria Estadual de Saúde alerta que bebidas destiladas de procedência duvidosa podem conter a substância, que é extremamente tóxica. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) planeja mais de quinhentas inspeções sanitárias em bares, camarotes e locais de grande concentração de pessoas.
A Bahia registrou nove casos de intoxicação por metanol, com três mortes. A Secretaria da Saúde (Sesab), em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou os estoques do antídoto para tratamento e incentiva os municípios a intensificar a fiscalização da venda e distribuição de bebidas destiladas.
Outros estados em alerta e ações preventivas
O Paraná confirmou seis casos, com três mortes, e encerrou sua Sala de Situação sobre o tema. Mato Grosso registrou seis ocorrências confirmadas e quatro óbitos, com a Secretaria de Estado de Saúde intensificando ações de vigilância e fiscalização, mesmo sem novos casos confirmados há mais de 30 dias.
O Rio de Janeiro, embora sem registros de casos ou mortes por metanol em bebidas, está nas ruas com o Laboratório Itinerante do Consumidor. Equipado com tecnologia de ponta, o laboratório portátil é capaz de testar bebidas em tempo real, identificando indícios de falsificação. Cerca de 26 litros de bebidas falsificadas já foram apreendidos e testados em ações recentes, reforçando o perigo desses produtos.
Sinais e sintomas de intoxicação por metanol
A intoxicação por metanol pode se manifestar com sintomas iniciais como dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa, geralmente até 6 horas após a ingestão. Entre 6 e 24 horas, podem surgir visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave.
Em casos mais graves, a intoxicação pode evoluir para cegueira irreversível, insuficiência renal e até a morte. O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho explica que o metanol gera substâncias altamente tóxicas que afetam o sistema nervoso e podem ser confundidas com uma ressaca mais forte, pois os sintomas costumam surgir progressivamente, geralmente entre seis e 24 horas após o consumo.
Recomendações para um Carnaval seguro
Especialistas e órgãos de saúde recomendam que os foliões consumam apenas bebidas de procedência conhecida, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal. É fundamental evitar produtos sem rótulo, vendidos em condições suspeitas ou com preços muito abaixo do mercado. Em caso de qualquer sintoma incomum após o consumo de álcool, como alterações visuais, é crucial buscar atendimento médico imediatamente.
A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro reforça que a venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco, e a atuação é firme para retirar esses produtos de circulação e alertar a população sobre os perigos do consumo.
