Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026 às 14:21
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Brasil e EUA definem data para reunião crucial sobre tarifas: Lula e Trump buscam acordo para reaquecer comércio bilateral

Brasil e EUA marcam reunião para discutir tarifas impostas por Trump e buscam acordo comercial

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, se reunirão na próxima segunda-feira, 31, às 14h30, em Brasília. O encontro, confirmado pelo ministério, será virtual e busca apaziguar a crise comercial entre os dois países.

A retomada das negociações foi acertada em telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A conversa, descrita como cordial, durou cerca de uma hora e vinte minutos e abriu um novo canal de diálogo em meio às tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

Durante a ligação, Lula defendeu a reabertura das negociações comerciais e contestou as justificativas apresentadas pelos EUA para a adoção das novas tarifas, classificando-as como infundadas. Conforme o Palácio do Planalto, o presidente brasileiro enfatizou que as tarifas prejudicam ambos os países e defendeu o diálogo para preservar a relação comercial. Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos governos. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

Tarifaço americano afeta US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras

Em julho, o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos e maquinário agrícola. O governo americano justificou as taxas alegando que certas práticas brasileiras prejudicavam exportadores e trabalhadores dos EUA.

Posteriormente, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada sobre mais produtos nacionais, sob a alegação de que o Brasil não possui mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Essas novas tarifas, em vigor desde o fim do mês passado, atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Brasil contesta tarifas na OMC e busca reciprocidade econômica

O governo brasileiro já havia solicitado consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas aplicadas são “inconsistentes” com as regras da entidade. Os EUA aceitaram participar das consultas no âmbito da OMC.

Desde o início das taxações, o Brasil tem ressaltado que os EUA possuem superávit na relação comercial com o país, ou seja, vendem mais do que compram. Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que continuará atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros, buscando um caminho de reciprocidade econômica.

Argumentos dos EUA e a defesa do Brasil

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado. O Brasil, por sua vez, tem defendido suas práticas e contestado a validade dessas justificativas no cenário internacional.

A expectativa é que a reunião entre os representantes de Brasil e EUA sirva como um passo importante para a resolução dessa disputa comercial, buscando restabelecer um fluxo de comércio mais equilibrado e benéfico para ambas as nações, preservando a importante relação bilateral.

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