Alckmin avalia que nova tarifa de 10% dos EUA não prejudicará o Brasil e pode impulsionar exportações
O Brasil não deve perder competitividade no mercado internacional devido à nova tarifa global de 10% anunciada pelos Estados Unidos, conforme declarou o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A medida, que será aplicada a todos os países exportadores, manteria o Brasil em igualdade de condições com outras nações no comércio com os EUA.
A declaração surge após uma decisão crucial da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais tarifas previamente impostas pelo presidente Donald Trump com base em poderes de emergência. Por seis votos a três, a Corte determinou que a criação de tarifas é uma prerrogativa do Congresso, e não do Poder Executivo americano.
Para Alckmin, essa decisão judicial é de **extrema importância para o Brasil**, abrindo uma nova perspectiva para o aumento do volume de trocas comerciais entre os dois países. Conforme informação divulgada pelo ministro, a decisão judicial anulou parte significativa do chamado tarifaço, que incluía uma alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% em alguns casos.
Decisão judicial abre “avenida” para comércio mais forte
O ministro Geraldo Alckmin celebrou a decisão da Suprema Corte, afirmando que ela abriu uma **”avenida para um comércio mais pujante”**. Ele ressaltou que, no pico das medidas anteriores, 37% das exportações brasileiras estavam sujeitas a tarifas elevadas. Esse percentual, contudo, foi reduzido para 22% no final do ano passado, após intensas negociações diplomáticas.
Donald Trump reagiu à decisão judicial, indicando que buscará novos caminhos legais para manter sua política tarifária. Ele confirmou a intenção de criar uma nova taxa global de 10%, baseando-se em outros dispositivos da legislação comercial americana. Apesar dessa movimentação, Alckmin reforçou que a nova tarifa global não altera a posição relativa do Brasil.
Setores brasileiros podem se beneficiar da redução de barreiras
“Os 10% são globais. Não perdemos competitividade”, afirmou Alckmin, destacando que essa medida pode trazer benefícios para diversos setores da economia brasileira. Ele mencionou especificamente que produtos como **máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas** podem se tornar mais competitivos no mercado americano com a redução das barreiras anteriores.
O ministro também abordou a questão de produtos estratégicos, como aço e alumínio, que foram afetados pela Seção 232 da legislação americana. Ele indicou que esses casos ainda podem ter desdobramentos jurídicos. A Seção 232 da Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos permite ao país impor tarifas sobre importações consideradas uma ameaça à sua economia.
Brasil busca diálogo e defende posição vantajosa no comércio com os EUA
Geraldo Alckmin reforçou que o Brasil **não está entre os países que geram déficit comercial para os Estados Unidos**. Ele defendeu a continuidade do diálogo bilateral, afirmando que “a negociação continua”. Essa postura visa garantir que os interesses brasileiros sejam considerados nas futuras políticas comerciais americanas.
Especialistas na área econômica avaliam que a anulação das tarifas anteriores pela Suprema Corte pode ser um **fator positivo para a retomada das exportações brasileiras**. Além disso, a redução de custos de importação para os EUA pode diminuir pressões inflacionárias no país. Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 37,7 bilhões, representando 10,8% do total exportado pelo Brasil.
A redução de barreiras comerciais tem potencial para influenciar o fluxo de investimentos e o comportamento do dólar, impactando diretamente a economia brasileira. Apesar do revés judicial, Trump sinalizou a possibilidade de novas investigações e a estruturação de tarifas por outros meios legais, mantendo a proteção da indústria americana como pilar de sua estratégia econômica.
