Sexta-feira, 17 de Julho de 2026 às 09:40
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EUA Impõe Tarifas: Brasil Prepara Novo Plano de Socorro para Setores Industriais Atingidos

Governo Brasileiro Anuncia Pacote de Ajuda Após Novas Tarifas dos EUA

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) a retomada do programa de apoio aos setores empresariais impactados pelo recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). A decisão americana, confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), adiciona uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais “desleais”.

O Brasil rejeita veementemente as justificativas apresentadas para a taxação, que entrará em vigor a partir de 22 de julho. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, destacou a prioridade do governo em amparar os setores afetados por essa medida considerada “injusta, indevida e ilegal”.

Em coletiva de imprensa em Brasília, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, Rosa detalhou que os setores mais atingidos desta vez incluem madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Estes deverão receber linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de suporte para a expansão de mercados e escoamento de produtos para outros países.

Impacto Econômico e Setores Vulneráveis

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que cerca de 2,4 mil empresas nacionais serão diretamente afetadas pelo novo tarifaço. Juntas, essas empresas respondem por aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando transações estimadas em US$ 7,4 bilhões, com base nos números de 2024. No ano anterior, o volume total de exportações desses mesmos setores para os EUA já havia recuado para US$ 5,5 bilhões.

É importante notar que uma parcela significativa da pauta de exportações brasileiras para os EUA, incluindo carnes, café, óleos e itens de aviação, foi poupada da nova taxação. Essa decisão americana, contudo, reforça a política do governo brasileiro de diversificar mercados para reduzir a dependência do mercado norte-americano, cuja participação nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre 2024 e 2026, segundo Márcio Elias Rosa.

Lei da Reciprocidade e Interferência Externa

O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que o governo estudará a aplicação da Lei da Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional. A lei estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais em resposta a ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade econômica do Brasil. Alckmin classificou o novo tarifaço como “injusto” e “descabido”.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, por sua vez, classificou a ação dos EUA como uma “interferência externa indevida”, considerando-a “inadmissível” e uma tentativa de “afugentar e constranger” o Brasil. Durigan refutou as alegações americanas, afirmando que são falsas e carecem de sustentação em dados concretos. Ele assegurou que o tarifaço não afetará a estabilidade macroeconômica do país.

Pix e Outras Alegações Norte-Americanas

Entre os pontos questionados pelos EUA, e que o governo brasileiro considera infundados, está o sistema de pagamentos eletrônicos Pix. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu o Pix, comparando a alegação de prejuízo ao mercado de cartões de crédito a dizer que o saneamento básico prejudica caminhões-pipa. Ele ressaltou que o mercado de cartões de crédito cresceu 150% após a implementação do Pix, beneficiando a todos.

O USTR mencionou práticas de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, interferência anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal como justificativas para as tarifas. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou as alegações de aumento do desmatamento e comércio ilegal de madeira como falsas, citando a redução de 50% do desmatamento na Amazônia nos últimos três anos.

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