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USP Revoluciona Tratamento de Doenças de Pele com Nanotecnologia Inovadora que Silencia Genes da Inflamação

Nanotecnologia da USP promete tratamento preciso para doenças de pele, silenciando genes inflamatórios com RNA terapêutico.

Uma nova era no tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo pode estar começando. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirãopreto desenvolveram uma plataforma tecnológica revolucionária baseada em nanotecnologia.

O sistema utiliza nanopartículas para entregar moléculas de RNA terapêutico diretamente às células cutâneas. Essa abordagem inovadora tem o potencial de silenciar com precisão molecular os genes responsáveis pela inflamação crônica, abrindo portas para tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Os avanços dessa pesquisa foram apresentados recentemente na FAPESP Week Londres, destacando o potencial da nanomedicina de precisão. A iniciativa conta com financiamento da FAPESP e do CNPq, através do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, conforme divulgado pela Agência FAPESP.

Nanopartículas Lipídicas Levam RNA Terapêutico Direto às Células da Pele

A coordenadora do NanoGeneSkin e do INCT em Nanotecnologia Farmacêutica, Maria Vitúria Bentley, explicou que o trabalho, iniciado há 20 anos, foca na obtenção e caracterização de nanopartículas lipídicas. Essas estruturas são capazes de liberar não apenas fármacos, mas também RNAs de interferência, moléculas essenciais para o tratamento de doenças cutâneas crônicas.

A psoríase, que afeta cerca de 190 milhões de pessoas mundialmente, é uma das principais focos. A doença é marcada por lesões inflamatórias severas na pele, causadas pela produção exagerada de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-alfa. O vitiligo, por sua vez, destrói os melanócitos, células produtoras de melanina, levando ao branqueamento da pele.

Ambas as condições compartilham a superexpressão de genes específicos que dirigem o processo patológico. A tecnologia desenvolvida pela USP utiliza RNA complementar para silenciar precisamente a produção dessas citocinas inflamatórias, agindo como uma “nanomedicina de precisão”, nas palavras de Bentley.

RNA de Interferência e Nanopartículas: A Combinação para o Silenciamento Gênico

O RNA de interferência (siRNA) é uma molécula sintética que atua diretamente no RNA mensageiro, degradando-o antes que a proteína nociva seja produzida. É como interceptar e destruir uma ordem de fabricação antes que ela chegue à linha de montagem, reduzindo a inflamação a níveis basais.

O desafio de entregar essas moléculas de RNA, quimicamente frágeis e facilmente degradadas por enzimas, através da pele, uma barreira biológica eficaz, foi superado com o desenvolvimento de nanopartículas de cristais líquidos.

Essas estruturas, feitas de lipídios com organização interna ordenada, protegem o material genético da degradação. Elas facilitam a penetração pela pele e a captação pelas células-alvo, garantindo que o tratamento chegue onde é necessário.

Potencial Terapêutico Ampliado e Aplicações Futuras

A pesquisa demonstrou que as nanopartículas são funcionais para o silenciamento gênico. Métodos como a fotoativação por luz podem potencializar a liberação do RNA dentro das células. Além disso, é possível carregar simultaneamente múltiplos RNAs e até fármacos anti-inflamatórios convencionais na mesma nanopartícula.

Essa estratégia é especialmente relevante para doenças complexas como a psoríase, que envolvem múltiplas vias inflamatórias. A capacidade de atingir diversos alvos terapêuticos simultaneamente aumenta o potencial de sucesso do tratamento.

Os resultados foram validados em modelos celulares e em animais com lesões induzidas experimentalmente. O escopo da pesquisa vai além, com aplicações em andamento para o vitiligo, para o qual o grupo já possui uma patente, e para a cicatrização de feridas crônicas.

Da Vacina contra o Câncer à Comercialização: O Futuro da Nanotecnologia da USP

A plataforma tecnológica também está sendo explorada para a entrega de mRNA, com potencial uso em vacinas, inclusive contra o câncer. O princípio é o mesmo das vacinas de COVID-19, onde o corpo é instruído a produzir proteínas específicas para treinar o sistema imunológico.

Em modelos animais, a imunização com a formulação e posterior exposição a células cancerosas resultou em regressão ou não crescimento dos tumores. A tecnologia já atraiu o interesse de empresas farmacêuticas.

Com duas patentes depositadas e processos de escalonamento industrial em desenvolvimento, como a liofilização para prolongar a validade, o grupo da USP já pensa na viabilização do produto. O objetivo é levar essa inovadora nanotecnologia do laboratório até o paciente, com conversas em andamento para a translação clínica.

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