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Bolívia: Prisões de líderes e apoio militar dos EUA intensificam crise política com protestos massivos

Bolívia em Ebulição: Crise Política se Agrava com Prisões e Apoio Americano a Governo Contestato

A Bolívia atravessa um momento de intensa instabilidade política, marcada por manifestações contínuas e a prisão de importantes lideranças sociais. Com mais de 80 bloqueios de rodovias paralisando o país, a crise se aprofunda sob o governo de Rodrigo Paz, que enfrenta pedidos de renúncia após apenas seis meses no poder. O cenário é ainda mais complexo com o apoio declarado do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ao governo boliviano, que tenta criminalizar os protestos associando-os ao narcotráfico.

Organizações sociais denunciam as detenções como verdadeiros “sequestros” e exigem a libertação dos presos, que são acusados de “terrorismo” e “instigação pública para delinquir”. Entre os detidos estão figuras proeminentes como a ex-senadora Simone Quispe, do partido MAS, e líderes de federações camponesas e de bairros. A Procuradoria chegou a pedir a prisão de outros dirigentes, mas esses pedidos foram posteriormente revogados pelo judiciário.

O descontentamento popular, que começou com queixas sobre a qualidade do combustível, escalou para protestos em massa e bloqueios de estradas após a promulgação de uma nova lei agrária. Os manifestantes, que incluem camponeses, indígenas, professores e mineiros, acusam a legislação de favorecer o agronegócio em detrimento dos pequenos produtores. A situação, conforme informação divulgada pela Agência Brasil, leva ao desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país andino.

Lideranças Sociais Presas em Meio a Acusações de “Terrorismo”

A onda de prisões tem sido um dos focos centrais da crise. A ex-senadora Simone Quispe foi detida em sua residência em um episódio que familiares descrevem como irregular, sem a apresentação de um mandado de apreensão. Segundo um comunicado divulgado em suas redes sociais, indivíduos encapuzados invadiram sua casa, a subjugaram e a levaram à força em uma van sem placas. A Central Operária da Bolívia (COB) manifestou repúdio às prisões, advertindo que “não se permitirá o retorno das práticas de perseguição contra líderes sociais”.

Apoio dos EUA e a Tese do “Narco-Terrorismo”

As prisões ocorrem em um contexto de forte respaldo internacional ao governo de Rodrigo Paz, vindo especialmente dos Estados Unidos. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, declarou que a Bolívia “não deve se permitir cair na armadilha do antigo status quo de domínio narco-terrorista na região”. Hegseth reiterou o apoio dos EUA aos parceiros da “Coalizão Contra o Cartel das Américas” para “garantir que os narco-terroristas sejam dissuadidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”.

Essa narrativa, que tenta vincular os protestos ao narcotráfico, é vista por analistas como uma estratégia para deslegitimar o movimento. O professor de ciência política Clayton Cunha Filho, da Universidade Federal do Ceará (UFC), aponta que o cenário boliviano segue instável e imprevisível. Ele alerta para a possibilidade de um “iminente estado de exceção”, que poderia aumentar a repressão, e não descarta, embora considere improvável, alguma “intervenção mais direta” dos EUA para manter Paz no poder.

Renúncias Ministeriais e o Retorno da DEA

A pressão dos bloqueios levou à renúncia de ministros importantes, como os das pastas da Defesa e Educação, em junho, e do Trabalho em maio. O novo ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, tem ligações com o combate ao narcotráfico e foi peça chave no retorno da Administração do Controle de Drogas (DEA) à Bolívia em maio. A DEA havia sido expulsa do país em 2008 pelo ex-presidente Evo Morales, sob acusações de espionagem.

Estado de Exceção em Pauta

A possibilidade de um estado de exceção ganha força com a recente derrubada pelo Congresso de uma lei que o limitava. Um novo projeto de lei sobre o tema, enviado pelo Executivo, está em análise na Câmara de Deputados após aprovação no Senado. A medida pode intensificar o controle governamental em meio às crescentes manifestações e bloqueios que paralisam a Bolívia.

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