Enchentes e Alagamentos Lideram Preocupações Ambientais nas Capitais Brasileiras, Revela Pesquisa
Alagamentos e inundações emergiram como os problemas ambientais que mais afligem os moradores das capitais brasileiras. Uma pesquisa recente aponta para uma mudança na percepção pública, com crescentes preocupações voltadas para as questões climáticas e ambientais urbanas.
O levantamento, intitulado “Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, divulgado pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec, entrevistou milhares de pessoas em diversas capitais do país. Os resultados indicam que a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos estão moldando as prioridades ambientais da população.
Essa crescente preocupação com enchentes e alagamentos, segundo a pesquisa, é mais acentuada entre a população com maior nível de escolaridade e nas classes sociais A/B e C. No entanto, a questão também afeta, em menor grau, as classes D/E. Conforme informação divulgada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec.
Cidades Sob o Impacto das Águas e da Poluição
Em cidades como Porto Alegre, Goiânia, Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro, os alagamentos e inundações foram apontados como a principal preocupação ambiental. Em Porto Alegre, por exemplo, 64% dos entrevistados manifestaram essa apreensão. Já em São Paulo, a poluição atmosférica se destaca como o principal ponto de atenção, citada por 51% dos paulistanos.
A pesquisa, que abrangeu também cidades como Belém, Fortaleza, Manaus e Salvador, revela nuances interessantes. Enquanto as classes de maior renda e escolaridade tendem a priorizar a poluição do ar, as inundações se tornam uma preocupação mais transversal, afetando um espectro maior da população urbana.
O coordenador-geral do Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, comenta sobre essa mudança de percepção. Ele observa que, historicamente, temas como educação e saúde dominavam as preocupações, mas o meio ambiente, especialmente as questões climáticas, ganha força. Abrahão critica a lentidão das autoridades em apresentar soluções efetivas, muitas vezes agindo apenas após a ocorrência de desastres.
Impactos Diretos das Mudanças Climáticas no Dia a Dia
Os impactos das mudanças climáticas no cotidiano dos brasileiros também foram registrados. O calor excessivo lidera a lista, afetando 33% dos entrevistados, seguido pela poluição do ar (22%). O aumento no preço dos alimentos (15%) e as próprias enchentes (11%) aparecem em seguida, mostrando a multifacetada crise ambiental.
A deputada federal Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, participou do lançamento da pesquisa e reforçou a necessidade de ações práticas e integradas. Ela defende a criação de um conselho nacional de segurança climática e um marco regulatório para emergências climáticas, ressaltando que a União não pode ser a única responsável.
A pesquisa aponta que 84% dos entrevistados acreditam que as prefeituras podem ter um papel fundamental no combate às mudanças climáticas. Marina Silva alerta que o mundo, e o Brasil em particular, está aprendendo sobre os impactos climáticos “por meio da dor”, e que o ano eleitoral pode ser desafiador, com debates que podem evitar o confronto direto em prol de votos.
A Urgência de Políticas Públicas Transformadoras
Para Marina Silva, uma agenda focada apenas em mitigação e adaptação não é suficiente. É preciso “transformar em modelo sustentável de desenvolvimento”, com políticas públicas que dialoguem com os três níveis de enfrentamento do problema, garantindo que as ações sejam efetivas e duradouras.
A pesquisa “Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas” foi realizada com apoio do Sesc SP e cofinanciamento da União Europeia, em colaboração com a Frente Nacional dos Prefeitos e Prefeitas (FNP) e a Estratégia ODS. Os questionários foram aplicados entre 1º e 27 de dezembro de 2025, com participantes maiores de 16 anos residentes nas capitais há pelo menos dois anos.
