Cresce número de paulistas que não frequentam eventos culturais; cinema é o mais afetado
Uma pesquisa recente da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) aponta para uma significativa alteração nos hábitos culturais da população paulista. O estudo revela que a parcela de pessoas que não participaram de nenhuma atividade cultural aumentou consideravelmente nos últimos anos, impactando especialmente o setor cinematográfico.
Os dados, que fazem parte de uma série iniciada em 2018, visam compreender a percepção e o uso dos serviços culturais no estado. Os resultados são cruciais para a formulação de políticas públicas na área, garantindo que a cultura, um direito constitucional, seja acessível a todos.
Enquanto o cinema sofre com a diminuição de público, outras formas de lazer e cultura, como bibliotecas e shows, demonstram maior resiliência. A pesquisa do Seade oferece um panorama detalhado sobre essas tendências, com informações que podem guiar futuras ações no setor cultural paulista.
Queda drástica na frequência a cinemas preocupa setor
As salas de cinema foram o segmento cultural que mais sentiu o impacto da mudança de comportamento do público. Atualmente, apenas 35% dos residentes no Estado frequentaram cinemas no último ano. Este índice é comparável aos níveis registrados durante a pandemia, o que levanta preocupações sobre a recuperação do setor.
A comparação com anos anteriores é ainda mais reveladora. Entre 2018 e 2019, a proporção de paulistas que iam ao cinema era de 50%. A queda de 15 pontos percentuais sugere que o aumento da oferta de serviços de streaming pode ter influenciado essa diminuição, embora o impacto total ainda esteja sendo avaliado.
Bibliotecas e shows mantêm público, mas com ressalvas
Em contrapartida, a frequência a bibliotecas se mostrou mais estável, mantendo-se em 21% desde 2022. Embora represente uma queda em relação aos 29% registrados em 2018, a estabilidade recente indica uma audiência fiel. A ida a museus também permanece na faixa de pouco mais de 30% desde o início da série de pesquisas.
Os shows e espetáculos de diversas naturezas, como música, dança e teatro, apresentaram uma variação mínima. Em 2025, 47% da população paulista participou dessas atividades, um índice muito próximo aos 50% observados em 2018 e 2024. Isso demonstra a força e a consolidação desses eventos na agenda cultural do estado.
Fatores demográficos e geográficos influenciam o acesso à cultura
A pesquisa do Seade também destacou que características pessoais e geográficas influenciam diretamente a participação em atividades culturais. Na capital, a frequência ao cinema atingiu 46%, enquanto no interior do estado, o índice foi de apenas 30%.
Por faixa etária, a diferença é ainda mais acentuada. Jovens de 18 a 29 anos apresentaram a maior taxa de participação em cinemas, com 63%, contrastando com os 25% observados em pessoas com 60 anos ou mais. A renda familiar e o nível de escolaridade também foram fatores determinantes, com maior participação entre aqueles com maior poder aquisitivo e maior formação educacional.
