Brasil e EUA fortalecem combate ao crime organizado com acordo pioneiro de troca de informações aduaneiras para barrar armas e drogas.
Em um movimento estratégico para intensificar a luta contra o crime transnacional, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua focado no combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A iniciativa prevê o compartilhamento contínuo e digital de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas de ambos os países.
O objetivo é agilizar investigações, identificar padrões de envio, rotas utilizadas e os vínculos entre remetentes e destinatários de substâncias ilícitas e armamentos. Esta colaboração promete otimizar a atuação conjunta contra organizações criminosas que operam em ambos os territórios.
A parceria, firmada entre a Receita Federal brasileira e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), foi detalhada em Brasília após uma reunião entre autoridades dos dois países. O acordo representa um passo significativo na estratégia de controle e repressão ao crime organizado, conforme anunciado pelo ministro Dario Durigan.
Compartilhamento de dados qualificado para ações articuladas
O ministro Dario Durigan destacou que o “compartilhamento qualificado de informações” entre Brasil e Estados Unidos permitirá que os dois países executem ações mais eficazes e articuladas. A intenção é atuar tanto na origem quanto no destino das cargas ilícitas, dificultando a ação de grupos criminosos.
Durigan ressaltou que este intercâmbio de dados, que será implementado nas aduanas de ambos os países, é um avanço importante na conversa entre os líderes dos dois países, visando o combate ao crime organizado. Essa troca de informações é fundamental para desmantelar redes que se utilizam de métodos cada vez mais sofisticados.
Tecnologia de Raio-X e apreensões em alta
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, explicou que tecnologias recentes, como o uso de raio-x em contêineres, têm sido cruciais para aumentar o número de apreensões, especialmente de peças destinadas à montagem de armamentos. O Brasil já realiza o escaneamento de todos os contêineres que saem do país.
“Como é mais fácil identificarmos as armas por meio de raio-x, essas organizações criminosas transnacionais têm adotado a estratégia de enviar peças. Por isso, as apreensões de peças têm aumentado”, afirmou Barreirinhas. Essa tática demonstra a adaptação dos criminosos às fiscalizações.
Estatísticas alarmantes e o papel do Programa Desarma
A reunião contou com a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que apresentou dados expressivos. Nos últimos 12 meses, foram apreendidas mais de 1,1 mil armas e peças de armamentos nas aduanas brasileiras. Além disso, no primeiro trimestre de 2026, foram apreendidas mais de 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos Estados Unidos, predominantemente sintéticas e haxixe.
Uma das entregas centrais do acordo é o lançamento do Programa Desarma. Este sistema informatizado da Receita Federal aprimora o rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. Sempre que produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis são identificados pela aduana brasileira, ou vice-versa, o sistema registra dados estratégicos.
Essas informações incluem o tipo de material, origem declarada, detalhes logísticos da carga e eventuais números de série. O objetivo é permitir o rastreamento preciso da origem dos produtos e o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas, fortalecendo a capacidade de resposta e prevenção de ambos os países.
