Prorrogação da Votação: Eleitores Frustrados e Portões Fechados Após Decisão do STF
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar o horário de votação até as 19h gerou uma onda de esperança para eleitores que ainda não haviam exercido seu direito ao voto. No entanto, a realidade encontrada em muitas seções eleitorais foi a de portões fechados e urnas recolhidas, provocando confusão e frustração.
A falta de comunicação clara e a demora na chegada das orientações causaram um desencontro de informações. Mesários, muitas vezes, só souberam da prorrogação após já terem encerrado os procedimentos de votação, impossibilitando a reabertura.
A Agência Brasil conversou com eleitores e mesários em diversas cidades, que relataram experiências semelhantes de desencontro de informações e impossibilidade de votar, mesmo com a determinação judicial. Conforme apurado pela Agência Brasil, a orientação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) posterior indicou que a prorrogação valeria apenas para seções que ainda não haviam encerrado a votação.
Rio de Janeiro: Atrasos e Declarações de Comparecimento Sem Voto
No Rio de Janeiro, no Colégio Pensi, na zona sul da cidade, pelo menos sete eleitores chegaram após o fechamento dos portões às 17h. Eles receberam uma Declaração de Comparecimento sem Voto, atestando que estiveram na seção, mas não puderam votar. A contadora Manuela Tunas, que viajou do Uruguai, perdeu seu voo e chegou ao local apenas às 17h, frustrada por não conseguir votar apesar da prorrogação. “Um absurdo! Porque algumas pessoas podem votar e outras não, é injusto”, declarou Manuela, criticando a assimetria da situação.
Brasília: Mesários Sem Informação e Urnas Já Fechadas
Em Brasília, Bruna Lourenço, presidente de uma seção eleitoral na Escola Classe 108, em Samambaia Sul, relatou que, após o encerramento regular às 17h, recebeu a orientação para fechar as urnas e iniciar os procedimentos de finalização. Somente após a conclusão, ela teve acesso às notícias sobre a prorrogação. “As informações demoraram muito a chegar. Então, a gente ficou meio perdido”, disse Bruna. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) confirmou que, no Distrito Federal, as urnas foram fechadas às 17h antes que a informação da prorrogação chegasse aos mesários.
São Paulo: Baixa Procura e Comunicação Tardía
Em São Paulo, em uma seção eleitoral que permaneceu aberta até as 19h, a procura foi mínima. Lucas Suassuna, mesário voluntário na 6ª Zona Eleitoral, informou que, após as 17h, poucas pessoas compareceram. “Pelo que eu vi aqui, devem ter entrado, no máximo, umas três ou quatro pessoas”, afirmou. A advogada Amanda Vitorino, em Campinas, constatou em algumas escolas que os portões já estavam fechados e as urnas recolhidas, mesmo após a decisão do STF. “Na prática não houve prorrogação”, defendeu.
Frustração Geral e Dificuldades na Comunicação
A aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, em uma zona eleitoral do Rio de Janeiro, também se deparou com os portões fechados e sentiu a frustração de não poder exercer seu direito ao voto no segundo turno. A falta de comunicação clara e a rápida execução do encerramento das votações em muitas seções impediram que a decisão do STF tivesse o efeito desejado para parte significativa dos eleitores, gerando um sentimento de injustiça e desinformação.
