Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026 às 19:53
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Guia Gratuito da USP Orienta Pais sobre Uso de Telas por Crianças de Até Seis Anos: Um Guia para o Mundo Digital

Guia gratuito da USP ensina pais a lidarem com o uso de telas por crianças de até seis anos

Um guia digital inédito, desenvolvido por pesquisadores da USP, oferece orientações práticas para pais e responsáveis sobre o uso de telas por crianças de até seis anos. O material, intitulado “Crescendo em um mundo digital: Um guia para o uso saudável de telas por crianças pré-escolares”, foi lançado em setembro e está disponível gratuitamente.

O objetivo principal do guia é auxiliar famílias que enfrentam dificuldades em estabelecer limites e monitorar o tempo de exposição das crianças a dispositivos eletrônicos, especialmente smartphones e tablets. Com linguagem acessível e design de fácil leitura, o livro de 32 páginas busca ser uma ferramenta essencial na era digital.

O guia foi elaborado por Andréia Schmidt, professora da USP, e sua equipe do Laboratório de Estudos Básicos e Aplicados em Análise do Comportamento (Lebac). A publicação conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e está disponível no Portal de Livros Abertos da USP.

Estratégias para um uso saudável das telas

O material recomenda diversas estratégias para um uso mais equilibrado das telas, incluindo a definição de limites claros e a criação de rotinas. Sugere-se a reserva de horários específicos livres de dispositivos e a **evitar o uso de telas durante as refeições e antes de dormir**, momentos cruciais para a interação familiar e o descanso.

Apesar de apresentar medidas mais restritivas, o guia reconhece a sobrecarga dos pais e o apelo cada vez maior dos dispositivos digitais, que expõem as crianças desde muito cedo. Os autores enfatizam que o objetivo não é a eliminação das telas, mas sim a promoção de um **uso consciente e benéfico**.

Segundo Rafael Julio Magrini Cunha, coautor do guia e doutorando em Psicobiologia na USP, a segurança digital infantil é uma parceria entre tecnologia e acompanhamento humano. “A tecnologia faz a filtragem inicial, mas são os pais e professores, no dia a dia, que orientam o olhar das crianças para transformar a tela em uma ferramenta de lazer seguro e de conhecimento”, explica.

Conteúdo de qualidade e mediação ativa

Outra recomendação importante é a **seleção criteriosa de conteúdos** adequados à faixa etária, priorizando materiais com ritmo moderado, sem violência ou excesso de publicidade. A mediação ativa, onde os pais assistem e interagem com a criança durante o uso das telas, é incentivada.

O guia também oferece critérios práticos e perguntas para ajudar os pais a avaliarem a qualidade dos vídeos, inclusive aqueles rotulados como “educativos”, verificando se o conteúdo realmente contribui para o aprendizado.

Os perigos do uso excessivo de telas

O guia alerta que o uso excessivo de telas pode impactar negativamente o desenvolvimento infantil. A **redução das interações sociais e físicas**, essenciais para a aquisição de linguagem, habilidades cognitivas, motoras e socioemocionais, é um dos pontos levantados. O sono também pode ser prejudicado.

Conteúdos com ritmo acelerado, violência, publicidade velada e formatos curtos, como os encontrados em plataformas como YouTube Shorts e TikTok, podem afetar a atenção, a memória e o controle de impulsos. Além disso, podem **incentivar o consumo e dificultar a tolerância à frustração** nas crianças.

Superando desafios na era digital

Ana Julia do Nascimento Silva, coautora do guia e doutorando em Psicobiologia na USP, destaca que a publicação surgiu da experiência do Lebac em identificar três grandes desafios enfrentados pelas famílias. O primeiro é **conciliar a tecnologia com a rotina familiar**, um ato de equilíbrio constante.

O segundo desafio é encontrar **orientações confiáveis em meio a um mar de informações online**. “Diante do volume de conteúdo disponível na internet, pode ficar difícil para eles selecionarem orientações e informações baseadas em ciência”, afirma Janine Albuquerque Nogueira, mestranda em Psicobiologia e coautora.

A terceira dificuldade, que o guia busca solucionar, é **transformar informação em ação prática**. Muitos pais não têm acesso direto à produção acadêmica ou não sabem como aplicar essas descobertas no dia a dia. O guia oferece, portanto, um caminho para que as famílias possam usufruir dos benefícios da tecnologia de forma segura e saudável para seus filhos.

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