Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026 às 22:08
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USP Alerta: Estagnação de Auxílios Sociais Pode Causar Tragédia Econômica em Cidades Brasileiras

USP Alerta: Estagnação de Auxílios Sociais Pode Causar Tragédia Econômica em Cidades Brasileiras

A estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários, como aposentadorias, Bolsa Família e BPC, podem desencadear uma severa retração na atividade econômica em municípios do interior do Brasil. Essa é a principal conclusão de um levantamento recente do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

Esses auxílios representam uma parcela significativa do orçamento de famílias em situação de vulnerabilidade, chegando a quase metade da renda dos mais pobres. O dinheiro recebido é, em sua maioria, destinado à aquisição de itens essenciais, o que garante a circulação imediata de recursos no comércio local, a manutenção de empregos e a ativação da arrecadação municipal.

O estudo destaca que, especialmente nas cidades fora das regiões metropolitanas, o peso das transferências públicas na economia local é dobrado em comparação com os grandes centros urbanos. Essa dependência torna essas localidades particularmente suscetíveis a qualquer instabilidade nos valores dos benefícios. Conforme informação divulgada pelo Made-USP, essa realidade foi analisada e os resultados apresentados nesta semana.

Impacto Severo na Renda e no Comércio Local

A projeção do Made-USP para os próximos três anos (2022-2025) é alarmante. Ao comparar um cenário de crescimento real para o BPC e aposentadorias com um período de congelamento e sem ganhos reais para o salário mínimo (2019-2022), o estudo aponta para uma retração na renda agregada do interior do país. Essa queda pode variar entre 6,8% e 10,8%.

“Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”, alerta a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP. A interrupção do fluxo de recursos afeta toda a cadeia produtiva e de serviços em municípios onde o comércio local é a principal fonte de sustento.

Estados Mais Afetados pela Retração Econômica

Os cenários mais críticos de queda na renda total foram projetados para o interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, onde a redução pode chegar a 17% a 18% caso não haja o aumento real dos benefícios. Estados como Amazonas, Sergipe e Pernambuco podem ter perdas na casa dos 15%.

Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia enfrentariam quedas entre 10% e 13%. Regiões com economias mais diversificadas, como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, poderiam ter prejuízos de até 6,5%.

Aumento da Pobreza como Consequência Direta

Além do impacto econômico, o estudo do Made-USP ressalta o papel crucial dos benefícios sociais no combate à pobreza. Qualquer reajuste abaixo da inflação pode empurrar famílias para a linha da pobreza, especialmente aquelas com rendimento de até 1,5 salário mínimo per capita, para as quais esses auxílios podem representar até 50% da renda total.

As simulações indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 poderia ter empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas. Deste total, 2,4 milhões seriam levadas à extrema pobreza.

A Bahia lideraria o aumento absoluto de pessoas em situação de pobreza (até 336 mil), seguida por São Paulo (até 263 mil) e Minas Gerais (até 251 mil). Maranhão, Pará e Ceará também figuram com mais de 200 mil pessoas em risco.

“Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, conclui Luiza Nassif. A pesquisa reforça a importância vital desses auxílios para a estabilidade econômica e social das regiões mais vulneráveis do país.

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