Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026 às 12:54
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Segurança Alimentar no Brasil: Esforço Coletivo de Agricultores Familiares e Cozinhas Solidárias Mantém o País Fora do Mapa da Fome

Segurança alimentar no Brasil: o poder da união entre campo e cidade contra a fome

Nesta sexta-feira (16), o Dia Mundial da Alimentação é celebrado com um sentimento de otimismo e gratidão por produtores da agricultura familiar e líderes de cozinhas solidárias. Eles celebram a certeza de que o Brasil tem conseguido se manter fora do Mapa da Fome, um feito atribuído ao esforço coletivo e à articulação entre diferentes setores da sociedade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) reafirmou em julho deste ano que o país manteve o percentual de subnutrição abaixo de 2,5% nos últimos três anos. Esse resultado expressivo é fruto do trabalho dedicado de pessoas como dona Maria do Cerrado, líder da Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília, que alimenta diariamente mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade.

O trabalho em rede, que envolve a compra de alimentos da agricultura familiar e a distribuição para quem mais precisa, tem sido fundamental. Essa colaboração garante não apenas o sustento, mas também o acesso a alimentos saudáveis e diversificados, fortalecendo a segurança alimentar e nutricional em todo o país. Conforme informação divulgada pela ONU, o Brasil manteve o percentual de subnutrição abaixo de 2,5% nos últimos três anos.

Cozinhas Solidárias: um abraço que alimenta corpo e alma

Dona Maria e seus 37 voluntários se dedicam três vezes por semana a separar, armazenar e preparar os alimentos, além de arrumar as mesas e receber aqueles que buscam não apenas comida, mas também acolhimento. Ela ressalta a importância desse espaço, onde muitas vezes problemas familiares e até casos de violência encontram solução.

“É o momento em que a gente se aproxima para conversar aqui dentro desse espaço que alimenta, onde a gente cultua o alimento como sagrado, como cura. Por isso, é feito com muito zelo”, compartilha dona Maria, destacando o cuidado e o carinho em cada etapa do processo.

Além das refeições, a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó distribui 200 cestas básicas para famílias cadastradas em situação de vulnerabilidade. Essa ação só é possível graças à parceria com produtores que fornecem frutas, verduras e legumes frescos.

Agricultura Familiar Agroecológica: a base da segurança alimentar

Um exemplo dessa parceria é Hosana Alves do Nascimento, produtora rural que transformou uma área urbana em São Sebastião, no Distrito Federal, em um sistema agroflorestal. Ela produz hortaliças, verduras e raízes, integrando-as com árvores frutíferas e oleaginosas em um sistema agroecológico, sem o uso de agrotóxicos.

“Como é uma área pequena, então a gente otimizou para dar muita coisa. A nossa produção é considerada agroecológica, porque não usa veneno”, explica Hosana, ressaltando a sustentabilidade e a qualidade dos alimentos produzidos.

A articulação entre produtores como Hosana e as cozinhas solidárias é viabilizada pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma política pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O programa compra os alimentos da agricultura familiar e os destina a essas iniciativas sociais, que por sua vez integram outra política pública, do Ministério do Desenvolvimento Social, voltada ao atendimento de pessoas em vulnerabilidade alimentar.

O elo que garante comida de verdade na mesa de quem precisa

Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, enfatiza que a criação desse elo entre diferentes pessoas é crucial para que o alimento chegue a quem necessita. “Essa parceria faz com que nós consigamos entregar comida de verdade, alimentos produzidos pela agricultura familiar, alimentos saudáveis, em regiões onde nem sempre o Estado consegue estar presente por meio da sua institucionalidade”, afirma.

A articulação entre os diferentes atores sociais não só garante alimentos saudáveis, mas também promove uma maior variedade de alimentos para as pessoas atendidas. Hosana relata a emoção ao presenciar a alegria de uma criança ao descobrir a melancia, um alimento comum para muitos, mas inacessível para outros.

“Em uma das entregas, um menininho perguntou à mãe: ‘Nós vamos comer melancia?’ Aquilo me doeu por dentro, de a criança não ter acesso a uma simples melancia”, conta a produtora, evidenciando a importância do acesso a alimentos básicos e nutritivos.

A sociedade civil na linha de frente contra a fome

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, relembra que o trabalho de enfrentamento à insegurança alimentar no Brasil teve início quando o país ainda figurava no Mapa da Fome. A iniciativa partiu da própria sociedade civil, que se organizou durante a pandemia para criar espaços como as cozinhas solidárias.

Esse movimento demonstra a força da solidariedade e da organização comunitária na construção de um país mais justo e com segurança alimentar para todos. O futuro da segurança alimentar no Brasil depende dessa articulação contínua e do fortalecimento das políticas públicas que apoiam tanto os produtores quanto as iniciativas sociais.

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