Terça-feira, 29 de Setembro de 2026 às 09:13
ADVERTISEMENT

Dólar dispara para R$ 5,22: Câmbio atinge pico de março em dia de tensão internacional e bolsa cai

Dólar atinge R$ 5,22, maior valor desde março, em meio a turbulências globais

O dólar comercial encerrou o pregão desta segunda-feira (28) cotado a R$ 5,226, registrando uma alta de 0,83%. Este patamar representa o maior fechamento da moeda americana desde 30 de março, refletindo um dia de significativa aversão ao risco nos mercados internacionais.

A valorização do dólar em relação ao real acompanhou a tendência global de fortalecimento da moeda dos Estados Unidos frente a outras divisas, especialmente as de países emergentes. O movimento foi influenciado por fatores como a alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e as incertezas geopolíticas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.

O cenário doméstico também contribuiu para a volatilidade, com a atenção voltada para as eleições presidenciais e dados econômicos. Conforme divulgado pelo Banco Central, o Brasil registrou um déficit em transações correntes de US$ 5,055 bilhões em agosto, embora o investimento direto no país tenha somado US$ 7,396 bilhões no mesmo período.

Juros nos EUA e tensões globais impulsionam dólar

A elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, com o papel de dez anos encerrando o dia em 5,2319%, tornou os ativos americanos mais atrativos. Taxas mais elevadas em economias desenvolvidas tendem a estimular a fuga de capitais de mercados emergentes, como o brasileiro, pressionando a cotação do dólar.

As incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã adicionaram uma camada de instabilidade ao mercado global. Essa tensão geopolítica, juntamente com a busca por segurança em ativos considerados menos arriscados, contribuiu para o fortalecimento do dólar em detrimento de outras moedas.

A projeção mediana para o dólar no fim de 2024, segundo o Boletim Focus do Banco Central, permaneceu em R$ 5,20, indicando que o mercado financeiro já precificava níveis próximos aos atuais. No entanto, as estimativas para a inflação em 2026 e 2027 foram ligeiramente ajustadas para cima.

Ibovespa acumula quarta queda seguida em dia de aversão ao risco

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, marcando o quarto pregão consecutivo de desvalorização. Apesar da sequência negativa, o índice ainda sustenta uma alta de 3,14% em setembro e de 13,57% no acumulado do ano.

O ambiente externo, com a queda das bolsas em Nova York e o aumento dos juros americanos, exerceu pressão sobre os mercados acionários globais. O índice S&P 500, por exemplo, recuou 0,77% no dia, refletindo o sentimento de cautela.

No mercado doméstico, a alta nos preços do petróleo ajudou a sustentar as ações de empresas do setor energético. Contudo, outros segmentos sentiram o impacto da aversão ao risco, com o índice Small Caps, que exclui a Petrobras, caindo 1,2% no dia.

Petróleo fecha em alta, mas com ganhos reduzidos

O petróleo encerrou o dia em alta, embora tenha reduzido seus ganhos ao longo da sessão. O barril do tipo Brent para dezembro subiu 0,40%, a US$ 97,83, enquanto o WTI avançou 0,21%, a US$ 92,60.

As cotações foram impulsionadas inicialmente pelas incertezas ligadas às negociações entre EUA e Irã e pelas dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz. No entanto, informações sobre possíveis avanços diplomáticos e medidas para aumentar a oferta de petróleo, como a retomada do bombeamento do oleoduto Leste-Oeste na Arábia Saudita, moderaram a alta.

Apesar dos sinais de aumento da oferta, as tensões no Oriente Médio e as restrições à navegação em rotas estratégicas mantiveram o mercado de petróleo em um ambiente de volatilidade, com os preços oscilando durante o pregão.

Menu