Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026 às 07:47
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Cosme e Damião no Rio: Famílias Mantêm Tradição de Doçuras e Fé Contra a Intolerância Religiosa

Rio de Janeiro celebra Cosme e Damião com fé, doces e união entre religiões

A tradição de celebrar os santos gêmeos Cosme e Damião no Rio de Janeiro se mantém viva, unindo famílias e comunidades em um ato de fé e partilha. Neste domingo, 27 de setembro, o dia dedicado aos santos foi marcado por missas, festas e, principalmente, pela distribuição de doces, uma prática que atravessa gerações e diferentes crenças.

A celebração vai além do aspecto religioso, promovendo a alegria infantil e combatendo discursos de ódio e intolerância. A professora Caroline Pinho de Araújo, devota desde a infância, ressalta a importância de manter essa tradição para espalhar amor e celebrar a infância, conforme informações divulgadas pelas fontes.

O sincretismo religioso é um dos pilares dessa festividade. Enquanto a Igreja Católica celebra os santos mártires, religiões de matriz africana os reverenciam como erês, entidades espirituais infantis. Essa fusão de crenças fortalece os laços comunitários e preserva a história e a ancestralidade.

A Fé e a Gratidão em Forma de Doces

Caroline Pinho de Araújo, professora de 40 anos, expressa profunda gratidão a São Cosme e São Damião por seu emprego, saúde e família. Todos os anos, além de participar da missa na Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí, ela distribui doces em agradecimento. “É importante manter essa tradição. Crianças e adultos ficam felizes. Ao mesmo tempo, a gente combate discursos de ódio e de intolerância. Pregamos o amor e a alegria de ser criança”, afirmou Caroline.

História e Martírio dos Santos Gêmeos

O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, vigário da Paróquia de São Cosme e São Damião, compartilha a alegria de receber peregrinos e suas histórias. Ele relembra que São Cosme e São Damião foram perseguidos e martirizados sob o imperador romano Diocleciano, que, segundo o padre, é responsável por grande parte da cultura popular carioca, incluindo a devoção a São Jorge e São Sebastião.

Sincretismo Religioso e a Tradição Afro-Brasileira

No Terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, a celebração também foi marcada pela distribuição de doces, bolo, cachorro-quente e brinquedos. A mãe de santo Ana Carolina Oliveira explica que sua família segue essa tradição há mais de 60 anos. Ela ressalta que as religiões de matriz africana abraçaram Cosme e Damião como uma forma de manter suas práticas religiosas vivas durante o período da escravidão, através do sincretismo com a Igreja Católica.

“Cosme e Damião são simbolizados como os erês”, explicou a mãe de santo. A massoterapeuta Vania Victorio Gonçalves da Silva, que participou com a filha e uma amiga, destaca que essa tradição é um resgate da história e dos ancestrais. A estudante Mirele Marinho da Silva, de 14 anos, reforça a importância de celebrar abertamente para combater a intolerância religiosa.

A Origem da Tradição: Médicos e Doces para Curar

O historiador e escritor Luiz Antonio Simas, em seu perfil no Instagram, explica que São Cosme e São Damião foram médicos cristãos que viveram no século III, na região da Síria. Eles tratavam crianças sem cobrar pelos serviços. Martirizados durante a perseguição aos cristãos pelo Império Romano, a tradição conta que eles passaram a se materializar para crianças doentes, oferecendo doces para trazer alegria e auxiliar no processo de cura.

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