Governo lança Desenrola 3.0: União compra dívidas com mega descontos e repassa integralmente ao consumidor
Uma nova e promissora etapa do programa de renegociação de dívidas para pessoas físicas foi anunciada pelo governo. Chamada de Desenrola 3.0, esta fase traz uma mudança significativa em relação às edições anteriores, com a União atuando diretamente na compra de carteiras de dívidas inadimplidas.
A principal novidade é que o desconto obtido pela União em leilões será integralmente repassado ao devedor. Isso significa que consumidores com dívidas elegíveis poderão ter a oportunidade de quitá-las com valores drasticamente reduzidos, potencialmente aliviando o peso do endividamento.
A expectativa é de que até R$ 150 bilhões em dívidas se tornem elegíveis para o programa, com o potencial de beneficiar até 15 milhões de brasileiros. Conforme informações divulgadas, a nova fase visa facilitar a quitação de débitos bancários e não bancários, oferecendo um caminho mais acessível para a regularização financeira.
Como funcionará a compra de dívidas pela União?
A terceira fase do Desenrola será focada em dívidas bancárias e não bancárias com valor original de até R$ 10 mil. Para serem elegíveis, os débitos deverão estar em atraso por um período que varia entre 720 e 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026. O processo se desenrolará em etapas claras.
Inicialmente, a União realizará leilões para adquirir pacotes de dívidas. Nesse contexto, os credores apresentarão propostas com descontos. A classificação das propostas será baseada no maior deságio oferecido, garantindo que os melhores acordos sejam selecionados. O desconto obtido pela União será repassado integralmente ao consumidor.
Após a aquisição pela União, o consumidor terá a opção de quitar o saldo remanescente à vista, mantendo o desconto obtido, ou parcelar o valor. As condições de parcelamento, incluindo taxas de juros, ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), oferecendo flexibilidade para a quitação.
Critérios de participação e o potencial de desconto
Para participar do Desenrola 3.0, os consumidores precisarão atender a critérios específicos. As dívidas devem ter valor original de até R$ 10 mil, com inadimplência superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias. Tanto dívidas bancárias quanto não bancárias são contempladas nesta nova etapa.
O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais relacionados à renda e priorização dos devedores, ampliando o alcance do programa. Os leilões podem ser organizados em lotes, separando dívidas bancárias e não bancárias para otimizar o processo.
O deságio mínimo exigido nos leilões será de 90%. Isso significa que uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, poderá ser adquirida pela União por R$ 1 mil. Este valor será o ponto de partida para a renegociação com o consumidor, que poderá então optar pelo pagamento integral ou parcelado.
Investimento previsto e cronograma do programa
A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis para compra pela União. Essa projeção considera uma parcela do estoque total de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026. O custo máximo para a aquisição dessas carteiras pela União é estimado em R$ 15 bilhões.
O programa prevê beneficiar até 15 milhões de pessoas, com recursos a serem alocados nos Orçamentos Anuais de 2027 e 2028. A implementação seguirá um cronograma detalhado: a medida provisória foi publicada em setembro de 2026, com chamamento para propostas previsto para novembro de 2026.
Os credores entregarão suas propostas em dezembro de 2026, e a homologação das propostas selecionadas ocorrerá em janeiro de 2027. A assinatura dos contratos e o início do repasse dos descontos aos devedores estão programados para fevereiro de 2027, quando os consumidores poderão iniciar a quitação ou o parcelamento de seus débitos.
O cenário da inadimplência no Brasil
Dados do Tesouro Nacional revelam a dimensão do problema da inadimplência no país. Em agosto de 2026, o montante de dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, com até cinco anos de atraso, atingiu R$ 592 bilhões. Este cenário afeta 83,9 milhões de pessoas negativadas.
A média de dívidas por pessoa negativada é de quatro, com um valor médio de R$ 7 mil por indivíduo. Cada dívida, em média, representa R$ 1,7 mil. Estatísticas preocupantes indicam que 56% dos negativados são mulheres e cerca de 55% do estoque de dívidas corresponde a débitos não bancários, como contas de água, energia, telefonia e varejo.
As fases anteriores do Desenrola alcançaram resultados expressivos, com a primeira etapa renegociando R$ 53 bilhões e atendendo 15 milhões de pessoas. A segunda fase negociou R$ 22 bilhões, beneficiando 10 milhões de indivíduos. O Desenrola 3.0 busca ampliar esse impacto com uma abordagem inovadora na compra e repasse de descontos de dívidas.
