Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026 às 10:13
ADVERTISEMENT

Greve dos Correios: TST decide que paralisação não foi abusiva, mas exige retorno imediato dos trabalhadores

Greve dos Correios: TST declara não abusividade, mas exige retorno imediato

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) tomou uma decisão importante nesta quinta-feira (24) sobre a greve dos trabalhadores dos Correios. A Corte determinou que o movimento paredista **não foi abusivo**, mas, ao mesmo tempo, solicitou que os empregados retornem às suas atividades a partir desta sexta-feira (25).

A decisão veio durante o julgamento do dissídio coletivo da categoria, que havia sido suspenso na última segunda-feira (21). A Seção de Dissídios Coletivos, por maioria de votos, **negou o pedido dos Correios para reconhecer a abusividade da greve**.

Apesar de não considerar a paralisação abusiva, o TST autorizou a **compensação dos dias não trabalhados**. Isso significa que não haverá desconto salarial, mas os trabalhadores terão que repor as horas ou dias em que estiveram em greve. Apenas os ministros Ives Gandra Martins Filho, Caputo Bastos e Maria Cristina Peduzzi votaram pela declaração de abusividade.

Argumentos do TST para a decisão

O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, fundamentou a decisão destacando a **grande estrutura dos Correios** e a vasta extensão territorial do país. Segundo ele, não ficou demonstrado o argumento da empresa de que houve abusividade no movimento grevista.

“Como reconhecer abusividade nesse caso? Primeiro, que a dimensão territorial do país. Segundo que o número de agências do país é um número enorme. Eles atendem aos locais mais recônditos do país. E um ou outro interdito não quer dizer que houve o bloqueio efetivo”, explicou o ministro.

O ministro ressaltou ainda que a legislação brasileira assegura o **direito de greve aos trabalhadores**, incluindo a liberdade de atuação para convencer outros colegas a aderirem ao movimento. Ele também mencionou que não foi constatado o descumprimento de determinações judiciais anteriores por parte dos grevistas.

Sindicatos se reúnem para definir próximos passos

Após o anúncio da decisão do TST, os sindicatos que representam os trabalhadores dos Correios informaram que irão se reunir para deliberar sobre o retorno às atividades. A categoria iniciou a greve no dia 10 de setembro, alegando que as negociações da campanha salarial deste ano terminaram sem acordo, segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect).

Durante o período da greve, o próprio TST já havia determinado a **manutenção de 80% do efetivo** nas operações essenciais da empresa, visando minimizar os impactos à população e aos serviços. A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria dos Correios e aguarda um posicionamento oficial sobre a decisão da Corte.

Menu