Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026 às 09:38
ADVERTISEMENT

Mata Atlântica: Agricultura Expande 11 Milhões de Hectares Enquanto Vegetação Nativa Diminui em 41 Anos

Mata Atlântica perde quase 10 milhões de hectares de vegetação madura em 41 anos, mas agricultura avança e ganha 11 milhões de hectares.

Um levantamento recente do MapBiomas, divulgado no Dia da Árvore, revela uma transformação drástica na cobertura da Mata Atlântica nas últimas quatro décadas. Enquanto a vegetação nativa madura sofreu uma perda expressiva, as áreas destinadas à agricultura registraram um crescimento impressionante, alterando significativamente o cenário deste importante bioma brasileiro.

Os dados, que abrangem o período de 1985 a 2025, apontam que 9,7 milhões de hectares de vegetação madura foram perdidos. Em contrapartida, a área agrícola expandiu-se em 11 milhões de hectares, evidenciando um intenso processo de ocupação e uso do solo no bioma, que é patrimônio nacional.

Apesar do cenário preocupante, o estudo também destaca um ponto de esperança: um em cada quatro hectares de vegetação nativa existente hoje na Mata Atlântica corresponde a áreas que voltaram a crescer após terem sido desmatadas. No entanto, o desmatamento recente tem impactado mais essas áreas regeneradas, levantando novas preocupações sobre a conservação.

Expansão agrícola e a nova fronteira do desmatamento

O levantamento do MapBiomas, que compõe a Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil, aponta que, entre 2021 e 2025, 1,2 milhão de hectares foram suprimidos na Mata Atlântica. Deste total, 700 mil hectares eram de vegetação secundária, indicando que o desmatamento tem se concentrado em áreas que já haviam passado por regeneração.

A expansão da agricultura na Mata Atlântica é impulsionada principalmente pela soja e pela cana-de-açúcar. A soja, por exemplo, ganhou 8,7 milhões de hectares em 41 anos, chegando a 11,11 milhões de hectares em 2025, uma área 4,6 vezes maior que a registrada em 1985. A cana-de-açúcar avançou 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões de hectares, 5,3 vezes a área de 1985.

Em 2025, a Mata Atlântica concentrava uma parcela significativa de culturas importantes no Brasil, como 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café e 34% do citrus. A expansão da silvicultura também é notável, com um aumento de 3,8 milhões de hectares, chegando a 4,9 milhões de hectares em 2025, sendo metade da área de silvicultura nacional localizada neste bioma.

Regeneração e a importância da conservação

Apesar do avanço da agricultura, a Mata Atlântica tem demonstrado capacidade de recuperação. O bioma ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, áreas que voltaram a crescer após terem sido desmatadas. Esse processo de regeneração é visto como fundamental para a recuperação do bioma.

Natália Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, ressalta a importância de evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária. Ela enfatiza que a regeneração, seja por restauração ou recuperação natural, desempenha um papel crucial na saúde do bioma, que é historicamente pressionado pela ocupação humana.

Urbanização e o futuro da Mata Atlântica

Outro dado relevante do levantamento é o crescimento das áreas urbanizadas. Na Mata Atlântica, elas cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025, com um acréscimo de 1,3 milhão de hectares, totalizando 2,3 milhões de hectares. Mais da metade de toda a área urbanizada do Brasil em 2025 estava localizada neste bioma.

Os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas no período. A análise indica que, embora a tendência geral de desmatamento de vegetação nativa tenha diminuído, a pressão sobre as áreas regeneradas e a expansão urbana e agrícola continuam sendo desafios significativos para a conservação da Mata Atlântica.

Pequenos avanços e grandes desafios

Segundo o MapBiomas, a tendência de queda na supressão da vegetação nativa na Mata Atlântica é uma notícia positiva. A partir dos anos 2000, a área de vegetação nativa suprimida ficou abaixo de 2 milhões de hectares em cada período de cinco anos. Os estados do Rio de Janeiro e São Paulo foram os únicos a não apresentar perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos.

Contudo, a expansão agrícola, especialmente sobre áreas de pastagens que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período, e o crescimento urbano demandam atenção contínua. A Mata Atlântica, que em 2025 cobria 32% de seu território com vegetação nativa, enfrenta a necessidade de equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental.

Menu