Terça-feira, 11 de Agosto de 2026 às 10:14
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PF Investiga R$ 97 Milhões do Iprev de Maceió em Banco Master: Ex-Secretário de Fazenda é Alvo de Busca

PF Apura Investimento de R$ 97 Milhões do Iprev de Maceió no Banco Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta segunda-feira (10) uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). Os recursos teriam sido investidos em operações financeiras do Banco Master, entidade que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e foi liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025 pelo Banco Central.

A determinação do Banco Central para a liquidação do Master ocorreu devido à violação de normas do Sistema Financeiro Nacional e a uma grave crise de liquidez enfrentada pela instituição. A operação desta segunda-feira cumpre oito mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em cidades de Alagoas e São Paulo, visando coletar provas que possam esclarecer os fatos.

As investigações buscam detalhar as circunstâncias do processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos. Conforme informação divulgada pela PF, há indícios de possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida, o que motivou a ação.

Principais Alvos da Investigação e Busca de Provas

Entre os alvos da operação estão figuras chave ligadas à gestão do Iprev e à consultoria envolvida nas operações. João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e que integrava o Conselho de Administração do Iprev na época dos fatos, está entre os investigados. Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev, e Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev, também são alvos.

Além deles, Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado, Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda, e Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev, estão sendo investigados. O ministro André Mendonça autorizou a apreensão de diversos materiais, incluindo computadores, celulares e documentos físicos, em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Detalhes das Aplicações e Responsabilização dos Bens

Segundo a PF, as suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões, e em maio de 2024, mais R$ 17 mil. A empresa de consultoria Crédito & Mercado teria participado da condução do credenciamento e da elaboração de análises, caracterizando, segundo a PF, a “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto de previdência.

O ministro André Mendonça determinou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores de Borges, Mota, Souza, Calamia, Alves e Santos, até o limite global de R$ 97 milhões. A decisão destaca que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito ou motivação concreta para a escolha do Banco Master.

Posicionamento do Iprev e Colaboração com as Autoridades

Em nota, o Iprev informou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis”. O instituto ressaltou que seu patrimônio cresceu significativamente, passando de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que, segundo a entidade, garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas. O Iprev declarou ainda estar colaborando com as autoridades nas investigações.

A reportagem não conseguiu contato com os investigados citados até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação dos interessados.

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