Sábado, 08 de Agosto de 2026 às 10:24
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Heróis Esquecidos: A Saga da Primeira Medalha Paralímpica do Brasil e o Legado de Robson e Luiz Carlos

A história de superação e glória que deu início à trajetória vitoriosa do Brasil no esporte paralímpico é celebrada por familiares, relembrando a conquista pioneira de Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa.

O Brasil se consolidou como uma potência no esporte adaptado, figurando entre os cinco melhores do mundo, um feito inédito alcançado em Paris 2024. Essa ascensão impressionante é resultado de uma jornada de meio século, que teve seu marco inicial em 1976, com a conquista da primeira medalha paralímpica brasileira.

A prata no lawn bowls, modalidade similar à bocha e já extinta, conquistada por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa, em Toronto, no Canadá, é a semente de um legado de mais de 460 pódios acumulados pelo país em eventos paralímpicos. A celebração desta conquista histórica ocorreu em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico.

“É o resgate de uma história que não era contada. Se hoje temos tudo isso, com televisão, entrevistas, esse momento de comemoração, é porque alguém lá no passado lutou para que isso acontecesse”, destacou Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, à reportagem da EBC. A trajetória de Robson, que se tornou pai adotivo de Noêmia, é marcada pela fundação do Clube do Otimismo no Rio de Janeiro, em 1958.

O Clube do Otimismo e a Luta por Oportunidades

Robson Sampaio de Almeida, após sofrer um acidente que o deixou paraplégico em 1973, utilizou a indenização para fundar o Clube do Otimismo. A instituição acolhia pessoas com deficiência sem recursos para reabilitação, um ato de pioneirismo em uma época sem políticas públicas de apoio ao paradesporto.

“Naquela ocasião, não tinha recursos como hoje. O paradesporto não era uma política pública, então, tinha que sair batendo de porta em porta. Ele batia na porta de deputados, de quem estava no poder, para ajudar a comprar uniforme, passagens, para representar o Brasil lá fora”, explicou Noêmia.

Uma Dupla Inseparável: Amizade e Apoio Técnico

Luiz Carlos da Costa, conhecido como “Curtinho”, foi um dos beneficiados pelo Clube do Otimismo e desenvolveu uma forte amizade com Robson. Aos 79 anos e em tratamento contra Alzheimer, Luiz Carlos é lembrado como um grande companheiro e peça fundamental no desenvolvimento do esporte.

“Eles sempre formaram essa dupla dinâmica no esporte. Quando se formaram os primeiros times de basquete em cadeira de rodas, meu tio foi o primeiro cestinha brasileiro, e o Luiz Carlos acompanhou. Foi um grande escudeiro do Clube do Otimismo”, relembrou Paulo Robson de Almeida, sobrinho de Robson, em entrevista à EBC.

Paulo Robson detalhou o envolvimento de Luiz Carlos: “Ele também trabalhava com técnicas para recuperação das rodas das cadeiras. Nas disputas internacionais, dava sempre o apoio técnico para conserto”.

Da Pista de Boliche ao Pódio Paralímpico

Robson e Luiz Carlos participaram dos Jogos de Toronto competindo no basquete em cadeira de rodas, mas acabaram convidados a disputar o lawn bowls. A dupla brasileira conquistou a medalha de prata, ficando atrás apenas da Austrália, em uma competição que permitia a participação em múltiplas modalidades.

“O Robson jogava o boliche tradicional, com a pista de madeira. E fazia vários strikes. Então, ele já tinha certa prática para segurar a bola. Mas o Luiz Carlos foi de primeira”, contou Paulo Robson, evidenciando a habilidade de ambos.

A Evolução do Movimento Paralímpico Brasileiro

Desde a histórica medalha de 1976, o movimento paralímpico brasileiro evoluiu significativamente. A criação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em 1995 e sua posterior inclusão na Lei Pelé e na Lei Agnelo Piva impulsionaram o financiamento do paradesporto.

A Lei Agnelo Piva, de 2001, destina 2% (atualmente 2,7%) dos recursos de loterias federais para o esporte, sendo 15% para o paradesporto. Essa legislação foi crucial para o desenvolvimento da infraestrutura e o apoio aos atletas.

O Centro de Treinamento Paralímpico, inaugurado em 2016 como legado dos Jogos do Rio de Janeiro, é um marco na formação de novos talentos. O centro oferece iniciação gratuita em modalidades adaptadas para jovens de 7 a 17 anos, consolidando um futuro promissor para o esporte paralímpico no Brasil.

“Ele lutava para as empresas admitirem [pessoas com deficiência], que tivessem uma política de acreditar que aquela pessoa era capaz de trabalhar. A gente teve nele o exemplo desse espírito, e o esporte foi a consequência. O que estamos comemorando é a realização de um sonho. A luta dele é a de todos nós”, concluiu Noêmia, reforçando a importância do legado de Robson e Luiz Carlos para as conquistas atuais.

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