Sábado, 01 de Agosto de 2026 às 09:14
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Golpes do Desenrola Brasil: 544 Falsos Anúncios Enganam Brasileiros em Redes Sociais

Falsos anúncios sobre o Desenrola Brasil se multiplicam nas redes sociais, alertando para novos golpes.

Em um período de apenas dois meses e meio, um levantamento revelou a impressionante marca de 544 falsos anúncios sobre o programa Desenrola Brasil, do governo federal, veiculados em redes sociais. O objetivo dessas fraudes é enganar os usuários e aplicar golpes, coletando dados sigilosos e pessoais.

A constatação é do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo analisou plataformas da Meta, como Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads, além da Audience Network, onde anúncios são veiculados em aplicativos de terceiros.

A pesquisa, realizada entre 1º de abril e 14 de junho deste ano, identificou que as fraudes foram disseminadas por 48 páginas diferentes. A maioria delas, 34 páginas, utilizou o nome oficial do programa, Desenrola Brasil, para publicar 278 anúncios enganosos. Outras 15 páginas criaram um programa inexistente, o Libera Brasil, para veicular 264 anúncios.

O que é o Desenrola Brasil e como os golpes se manifestam

O Desenrola Brasil foi criado em 2023 com o propósito de auxiliar consumidores na renegociação de dívidas. Uma segunda versão do programa foi lançada em maio deste ano, impulsionando ainda mais a ação dos golpistas.

De acordo com o Netlab, os golpes utilizando anúncios falsos começaram já em 2023. Na época, o Ministério da Justiça determinou a retirada dos anúncios e aplicou uma multa de R$ 9,3 milhões à Meta. Contudo, os anúncios persistiram e ganharam força em 2024, especialmente após o lançamento da nova versão do programa.

Estratégias de manipulação e o papel da inteligência artificial

O estudo do Netlab aponta que a maioria dos anúncios fraudulentos, cerca de 72%, faz uso indevido do nome e da imagem do governo, bem como de marcas privadas como sites de notícias e bancos. Além disso, 19,1% promovem links que se passam por canais oficiais do governo, e alarmantes 38,1% apresentam conteúdo gerado por inteligência artificial.

“As pessoas não sabem que tantos anúncios fraudulentos estão circulando nas redes sociais sem nenhum tipo de fiscalização, de filtro ou de sistema de segurança. Isso torna cada vez mais perigoso, porque as pessoas veem anúncios legítimos e ilegítimos em uma mesma plataforma, misturados. Para o usuário, é muito difícil diferenciar e, claro, isso torna as pessoas cada vez mais vulneráveis”, explica Marie Santini, diretora do Netlab.

Os golpistas atraem as vítimas para sites fraudulentos, onde coletam dados pessoais e sigilosos. Em seguida, direcionam os usuários para conversas no WhatsApp, onde as etapas seguintes do golpe são conduzidas.

A responsabilidade das plataformas e a defesa de controles mais rigorosos

Marie Santini defende que as plataformas digitais precisam implementar sistemas de controle mais eficazes para verificar a legitimidade dos anunciantes e analisar o conteúdo dos próprios anúncios. A especialista ressalta que é obrigação das empresas garantir segurança e qualidade aos consumidores.

“É obrigação daquele que presta o serviço garantir segurança e qualidade para o consumidor. E o que as autoridades públicas deveriam fazer para impedir esse tipo de crime? As autoridades precisam punir as plataformas”, afirma Santini.

Posição da Meta e combate a fraudes

Em resposta, a Meta declarou que o combate a fraudes e golpes online é uma prioridade. A empresa afirma intensificar esforços com o uso de inteligência artificial, modelos de linguagem de larga escala (LLMs) e reconhecimento facial para detecção e remoção de conteúdos fraudulentos.

Segundo a Meta, as denúncias de usuários sobre anúncios de golpes caíram mais de 50% entre meados de 2024 e o final de 2025. A empresa informou ter removido mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos em 2025, 92% deles antes de serem denunciados, além de ter desativado 10,9 milhões de contas associadas a golpes.

A Meta reitera que não permite atividades fraudulentas e que coopera com as autoridades brasileiras. A empresa garante que utiliza uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar e remover conteúdos que violam suas políticas, inclusive em relação ao Desenrola Brasil.

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