Quinta-feira, 30 de Julho de 2026 às 23:02
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Paraguai convoca embaixador do Brasil após fala de Lula sobre Guerra do Paraguai: Tensão diplomática em alta

Tensões diplomáticas entre Brasil e Paraguai escalam após declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai

O governo paraguaio convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes, para uma conversa nesta sexta-feira (31). A decisão foi comunicada pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, e tem como motivo declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai, ocorrida entre 1864 e 1870.

As falas de Lula, proferidas em um evento na empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), na semana passada, buscaram ilustrar a importância do investimento em defesa. No entanto, a forma como o conflito foi relembrado gerou desconforto no país vizinho, onde o evento é conhecido como Guerra da Tríplice Aliança.

Este episódio histórico, que colocou Brasil, Argentina e Uruguai de um lado e o Paraguai do outro, é considerado um “episódio sensível da história nacional” pelo governo paraguaio. A repercussão das declarações de Lula levou a ações diplomáticas imediatas para tratar do tema, considerado “delicado” pelas autoridades.

Diálogo em altos escalões para amenizar a crise diplomática

De acordo com nota oficial divulgada pelo ministério paraguaio, além da convocação do embaixador brasileiro, os ministros das Relações Exteriores do Paraguai e do Brasil, Mauro Vieira, já haviam conversado sobre o assunto. O encontro ocorreu em Lima, no Peru, indicando a preocupação de ambos os lados em buscar uma solução.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, também dialogou diretamente com o presidente Lula por telefone. Essa conversa direta entre os chefes de Estado demonstra a seriedade com que o tema está sendo tratado e a disposição em encontrar um caminho para resolver a tensão diplomática gerada pelas declarações sobre a Guerra do Paraguai.

Guerra do Paraguai: Um capítulo sensível para a nação vizinha

Durante o evento em Jacareí, Lula mencionou a Guerra do Paraguai para reforçar a necessidade de investimentos em defesa. Ele citou a expansão territorial brasileira e as invasões do Paraguai ao Brasil, Uruguai e Argentina, destacando que a guerra, que parecia insignificante, durou cinco anos. “A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos Chile e Equador. A gente tem a África na nossa frente e tem uns loucos no mundo querendo fazer guerra. E a gente não pode esquecer que, embora a gente só goste de paz, seja de paz, um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. E invadiu Uruguai e Argentina. E aquela guerra que não parecia nada durou cinco anos”, disse o presidente.

Apesar da intenção de Lula de usar o episódio como exemplo de necessidade de defesa, a perspectiva paraguaia sobre a Guerra do Paraguai é profundamente diferente. O governo do país vizinho descreve o conflito como um dos momentos mais difíceis de sua história.

Paraguai reafirma soberania e busca diálogo diplomático

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, enfatizou a importância de respeitar a história e a dignidade de seu país. “A dignidade do Paraguai não se negocia. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, desde o começo temos abordado o tema no mais alto nível”, declarou Lezcano.

Ele também ressaltou a importância da diplomacia e da moderação na condução das relações bilaterais. “A diplomacia tem seus tempos, suas formas e, acredite, a moderação do presidente da República tem sido fundamental na gestão desses prazos e formas”, concluiu o chanceler paraguaio, indicando que o país busca resolver a questão através de canais diplomáticos e com respeito mútuo, mesmo diante de declarações sobre a Guerra do Paraguai que geraram polêmica.

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