Terça-feira, 28 de Julho de 2026 às 21:13
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Crise na Argentina: Quase Metade dos Jovens Vive em Vulnerabilidade Social, Mostra Estudo da UBA

Argentina: Juventude em Alerta, Quase 50% Vivem em Vulnerabilidade Social Profunda

Uma pesquisa alarmante divulgada pela Universidade de Buenos Aires (UBA) aponta que impressionantes 48,9% dos jovens argentinos, o que equivale a cerca de 4,1 milhões de pessoas, encontram-se em situação de vulnerabilidade social.

O estudo define como jovens em vulnerabilidade aqueles com idade entre 18 e 29 anos que enfrentam alguma forma de pobreza econômica ou que não completaram o ensino básico, tendo, no máximo, concluído o ensino fundamental.

Esses dados preocupantes, divulgados nesta semana pela UBA, pintam um quadro sombrio do presente e do futuro da juventude no país vizinho, com implicações diretas em diversas esferas da vida, desde o trabalho e a educação até a saúde mental.

Realidade Cruel: Trabalho Informal e Dificuldades Financeiras Preocupam Jovens Argentinos

Entre os jovens em situação de vulnerabilidade, um dado chocante é que 57% relatam que o dinheiro proveniente de seus trabalhos não é suficiente para cobrir as despesas até o final do mês. Além disso, apenas 24,8% desses jovens continuam seus estudos, evidenciando um ciclo de dificuldades.

A pesquisa da UBA também aponta que dois em cada dez jovens argentinos não estudam nem trabalham, enquanto outros 30% encontram-se desempregados. Para os que conseguem trabalho, a informalidade é a regra: apenas 15% possuem carteira assinada, com 76% em trabalhos informais ou autônomos.

Esses empregos concentram-se em atividades pouco qualificadas e de alta informalidade, como comércio, construção, venda ambulante ou online, e serviços de limpeza e cuidados. A dificuldade em fechar as contas, a interrupção dos estudos e o trabalho informal configuram a dura realidade cotidiana desses jovens.

Saúde Mental e Drogas: Um Cenário de Angústia e Busca por Controle

A vulnerabilidade social na Argentina se reflete diretamente na saúde mental dos jovens. Mais de 70% manifestaram sofrer com problemas frequentes de nervos ou ansiedade, e mais de 50% relataram sentir apatia ou depressão. Esses sinais de sofrimento psicológico são vistos como parte do cotidiano, e não como experiências isoladas.

O uso de álcool e outras drogas também é um fator de preocupação, com aproximadamente 30% dos jovens reconhecendo que não conseguem controlar o consumo dessas substâncias. Este cenário complexo é agravado pela insegurança, com 40% dos jovens afirmando viver em bairros considerados inseguros ou muito inseguros.

A falta de acesso a planos de saúde é outro ponto crítico, com 78% dos jovens dependendo exclusivamente dos serviços públicos, que muitas vezes enfrentam sobrecarga e longas filas de espera, dificultando o acesso a cuidados essenciais.

Informação e Futuro: Redes Sociais Dominam e Expectativas são Incertas

No que diz respeito à informação, as redes sociais se tornaram a principal fonte para 66% dos jovens argentinos, com destaque para Instagram (36%) e Facebook (22%). A televisão aparece em terceiro lugar, com 18%. Jovens com maior escolaridade tendem a diversificar suas fontes digitais, enquanto aqueles com menor escolaridade ainda utilizam o Facebook e a TV como canais relevantes.

A pesquisa, intitulada “Jovens Vulneráveis na Argentina: Condições de Vida, Crenças e Expectativas sobre o Futuro”, entrevistou 1.002 jovens em condições de vulnerabilidade entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, oferecendo um olhar aprofundado sobre suas vidas e suas preocupações.

A taxa de emprego é maior entre os homens e na Região Metropolitana de Buenos Aires, mas a precariedade e a falta de oportunidades continuam sendo um desafio para a vasta maioria da juventude argentina, que busca um futuro com mais estabilidade e segurança.

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