Irã ameaça cessar-fogo e pede intervenção de mediadores após bombardeios israelenses no Líbano.
Fontes do governo iraniano indicam que o Irã estuda a retomada de ataques em resposta aos bombardeios israelenses contra o Líbano. A ameaça surge após o que Teerã descreve como uma violação do cessar-fogo por parte de Israel, que excluiu o Líbano do acordo negociado com os Estados Unidos.
Um alto funcionário da segurança iraniana alertou que o país pode iniciar uma ofensiva de defesa em larga escala a qualquer momento. A exigência é que o cessar-fogo seja universal, abrangendo todas as frentes de conflito, incluindo a Faixa de Gaza e o Líbano, alvos de ataques israelenses nas últimas semanas.
A tensão aumenta com a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo e gás. A mídia estatal iraniana, Press TV, divulgou o alerta, ressaltando a necessidade de intervenção dos países mediadores para garantir a aplicação do acordo de cessar-fogo em todas as áreas afetadas, conforme informado pela Agência Brasil.
Ameaça de Retaliação e Fechamento do Estreito de Ormuz
O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, defendeu publicamente a suspensão do cessar-fogo e o fechamento do Estreito de Ormuz. Ele declarou que, em resposta à “invasão selvagem dos sionistas ao Líbano”, o tráfego de navios na importante via marítima deve ser interrompido imediatamente.
Rezaei enfatizou a solidariedade com o povo libanês, afirmando que o Irã não deve abandoná-los. A posição é clara: “Cessar-fogo ou em todas as frentes ou em nenhuma frente”, como divulgado pela imprensa local. As Forças Armadas iranianas anunciaram a manutenção de um controle “inteligente” sobre o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás mundial, sem detalhar as ações.
Ataques de Israel ao Líbano e suas Consequências
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou o apoio ao acordo costurado com os EUA, mas ressaltou que o Líbano ficaria fora dos termos do cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel (FDI) relataram ter bombardeado aproximadamente 100 alvos no sul do Líbano e em Beirute em um curto período.
O Ministério da Saúde do Líbano reportou que os ataques resultaram em dezenas de mortes e centenas de feridos, segundo uma contagem preliminar. Imagens de prédios destruídos na capital libanesa circularam amplamente, aumentando a preocupação da população.
Apelo por Moderação e o Impacto no Processo de Paz
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, lamentou profundamente os ataques israelenses a áreas residenciais densamente povoadas. Ele criticou o que chamou de desprezo total de Israel pelos princípios do direito internacional e humanitário, ignorando os esforços regionais e internacionais para deter a guerra.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador no acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA, alertou que a violação do acordo compromete o processo de paz. Ele fez um apelo sincero a todas as partes para que exerçam moderação e respeitem o cessar-fogo acordado, permitindo que a diplomacia prevaleça na busca por uma solução pacífica para o conflito.
De acordo com dados do Ministério da Saúde do Líbano, até o dia anterior, mais de 1,5 mil pessoas haviam morrido e mais de 4,8 mil ficaram feridas desde o início da atual fase do conflito, em 2 de março. Além disso, 93 unidades de saúde foram alvejadas e 57 profissionais de saúde foram assassinados, com mais de um milhão de pessoas deslocadas de suas casas.
