A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu “evidências emergentes” de transmissão pelo ar do novo coronavírus(COVID -19), sendo que a possibilidade disto acontecer em locais cheios, fechados, mal ventilados aumentam o risco de contaminação, gerando risco de comprometimento da saúde de forma geral àqueles que o contraem. Diante deste cenário, houve a necessidade de mudança de hábitos no âmbito social afetando também o estilo de vida das pessoas. O isolamento social se fez necessário, sendo uma das principais medidas tomadas como consequência da pandemia causada pelo COVID-19 (sigla inglês para coronavirus disease 2019), além do uso de mascarás em quase todos os locais e álcool em gel para higienizar as mãos.

Em tempos de pandemia, surge o aumento da ingestão do álcool na população idosa e este fenômeno se dá por causa do sofrimento psíquico, solidão e medo do futuro incerto. A falta de companhia, o uso que antes fazia parte da vida de algumas pessoas, ressurgiu quando uma das medidas de proteção se fez prevalecer: a restrição social. Este movimento proporcionou, para alguns, efeitos e consequências negativas para saúde mental e física principalmente em alguns idosos, dado as incertezas que o momento atual trouxe. O medo da morte, a tristeza pela perda de familiares, cônjuges e amigos, a solidão por não poder estar com entes queridos, tudo isto afetou e muito a situação de vida das pessoas.

Apesar de podermos nos valer das ferramentas tecnológicas, onde as visitas são virtuais, os idosos sentem-se menos próximos das pessoas e, para a redução destes sentimentos aversivos, o álcool acaba sendo uma opção atrativa, o que acaba por gerar alterações importantes nas emoções, pensamentos e comportamentos. Surge então a ansiedade, mudanças no padrão do humor, mudanças no padrão alimentar, sono e, todas estas alterações do modo de funcionar na sociedade demostra a necessidade de alguns ajustes, onde momentos e situações exigem que façamos algumas mudanças para que consigamos nos ajustar a nossa vida, de forma a lidar melhor com todas estas adversidades.

O envelhecimento é um processo universal, evolutivo e gradual, que envolve uma somatória de fatores sociais, psíquicos, ambientais e biológicos. Logo, este processo provoca uma diminuição gradual da capacidade física e mental, permitindo que doenças possam se desenvolver como diabetes, hipertensão, problemas circulatórios, motores, entre outros, sendo que estas mudanças não são lineares, ou seja, diferente de idoso para idoso.

O consumo excessivo do álcool é considerado um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, sendo que o abuso em seu consumo, sem dúvida, se tornou um problema grave da sociedade contemporânea, com efeito nocivo e crônico, e aumento dos riscos para doenças cardiovasculares, úlceras gástricas, neoplasias, anemia e doenças neuropsiquiátricas como depressão e demência. Os riscos do alcoolismo em excesso nos idosos prejudica sua saúde física, psíquica, social. Estudos sugerem que idosos podem ter problemas pelo uso ou abuso de álcool, mesmo se o padrão seja considerado tolerável.

Ao pensamos nas mudanças que este momento exige, se faz necessário que o idoso crie hábitos e maneiras para se adaptar, da melhor forma possível, sem que o uso exclusivo do álcool sirva como como fonte de enfrentamento do medo, tristeza e incertezas. Neste momento, é importante ter em mente que este momento é passageiro, o que pode ajudar a controlar a ansiedade gerada nessa situação tão difícil.

A inserção de novos hábitos pode contribuir para um estilo de vida mais saudável, como por exemplo: cultivar bons pensamentos sobre si mesmo, deixar de se criticar incessantemente e estar bem consigo mesmo. Busque momentos para relaxar, ouvir suas músicas preferidas, ler livros, meditar e orar. Este talvez seja o momento propício para cuidar de si mesmo. Para podermos cuidar bem do outro é preciso estarmos bem conosco, e assim deve ser com o idoso, que acaba assumindo muitas vezes o cuidado da família entre outras responsabilidades que possa ter.

Porém, se considerar que não consegue realizar estas mudanças sozinho, é importante buscar ajuda especializada. A terapia é um recurso que pode ajudar muito neste processo de mudança, ajudando na manutenção da saúde mental. Neste momento de tantas incertezas, é essencial manter a mente e o corpo saudáveis, pois, como a rotina ficou diferente do que era antes, se faz necessário criar formas de se adaptar e deixá-la mais leve.

Catia Maria Dantas – Psicóloga formada pela Universidade Nove de Julho São Paulo -SP. Mestrando em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie-SP. Coordenadora da Moradia Friedrich, moradia assistida para pessoas com transtorno mentais. Psicóloga clínica. E-mail: catia.dantas@faculdadeseducatie.edu.br

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