Estudo brasileiro apontou que o coronavírus pode atingir os olhos de maneira grave, mesmo após o período agudo da doença, e oftalmologista alerta para os sintomas

Manifestações oculares relacionadas ao coronavírus têm sido relatadas com certa frequência por pacientes que receberam o diagnóstico positivo, e também por aqueles que já superaram a fase aguda da infecção. Uma pesquisa recente realizada por cientistas brasileiros na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que a Covid-19, como uma doença sistêmica, também pode atingir os olhos trazendo prejuízos importantes à visão.

O estudo financiado pelo Ministério da Tecnologia e Inovações trouxe importantes conclusões sobre o impacto que o coronavírus tem sobre a saúde ocular. Publicada na revista médica Ocular Immunology and Inflamation Journal, a pesquisa sugere que o problema possa afetar mais de 20% dos pacientes que adquirem a forma mais grave da doença, sendo que cerca de 3% dessas pessoas podem sofrer danos irreversíveis na visão.

“O estudo demonstrou que a investigação da retina do paciente, por meio de exames oftalmológicos, foi importante para entender o quanto a doença pode afetar outras partes do organismo. Nos olhos, a retina é a parte mais afetada gerando sequelas a saúde ocular, com possibilidade de danos permanentes”, explica a Dra. Adriana Paschoal, especialista em oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

A pesquisa demonstrou ainda que danos na retina são considerados sinais biológicos de possíveis complicações neurológicas trazidos pelo coronavírus. Além disso, estudos anteriores já sugeriam que entre 30% e 40% dos pacientes com a Covid-19 sofrem com alterações no sistema neurológico.

Recentemente, em seu consultório, a médica relata ter atendido a uma paciente que se recuperava de um quadro de Covid-19, que necessitou de uma intubação. Passado o período crítico e se recuperando em casa, a idosa segue em acompanhamento oftalmológico por conta de uma crise de glaucoma, desencadeada pelo uso de medicamentos necessários para intubação. A médica ressalta que o caso dessa paciente não é isolado.

“Há casos de pessoas que mesmo após passados meses do período agudo da infecção, ainda apresentam sintomas oculares, como sensibilidade e comprometimento da visão. Nesses casos o acompanhamento oftalmológico se torna indispensável, a fim de evitar danos mais graves que podem acontecer a longo prazo e se não tratados a tempo podem ser irreversíveis”, adverte a Dra. Adriana Paschoal.

O estudo conduzido na Unifesp apontou que 21,9% dos pacientes internados com quadro de Covid-19 apresentaram lesões e hemorragias na retina, sendo que depois do período de infecção aguda, pelo menos 10% dos pacientes seguiam com lesões oculares. A Dra. Adriana Paschoal acrescenta que esses dados reforçam a importância do reconhecimento da Covid-9 como uma doença sistêmica, que não atinge apenas os pulmões, mas todo o organismo.

Sintomas

Dentre os sintomas oculares os quais os pacientes devem ficar atentos para uma possível infecção pela Covid-19, estão a conjuntivite e a baixa visão, por oclusão vascular da retina. Mas esses sintomas não devem ser avaliados de maneira isolada, conforme reforça a médica.

“Ainda há muito para se aprender sobre o coronoravírus, mas para que sintomas oculares tenham uma relação mais consistente com a Covid-19 é necessário que eles venham acompanhados de outras ocorrências, como tosse, febre e até dificuldade para respirar”, explica a doutora Adriana Paschoal.

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