Bancas de jornal de Arujá se reinventam para conseguir novos clientes

Bancas de jornal de Arujá se reinventam para conseguir novos clientes

Sinônimos de conhecimento e informação, as bancas de jornal estão presentes na vida de boa parte das pessoas há muito tempo. Por mais que a estrutura seja simples ou pequena, elas guardam um universo de cultura e diversão que atraem públicos de todas as idades e classes sociais. Nos últimos anos, entretanto, uma série de razões as fizeram encontrar novos caminhos, trazendo produtos diversos como forma de renovar a clientela e manter o fluxo de caixa.

Realidade presente nas bancas de todo o país, esse panorama não seria diferente nas ainda existentes em Arujá. Embora possuam público fiel, o tempo em que só a venda de jornais e revistas era base de sustentação do negócio ficou no passado. Doces, cigarros, bilhetes de loteria e até plantas são as novas apostas para manter e atrair novos fregueses.

Kátia Rodrigues e Pedro Júnior cuidam da banca instalada na Praça Benedito Ferreira Franco (Praça do Coreto), na parte central, há cerca de dez anos. Mesmo com a profunda transformação na forma de obter notícias ao longo desse tempo, ainda dá para se manter uma banca, segundo Kátia. Porém, ela verificou queda na demanda por jornais e revistas e também na presença de jovens.

Ela aponta como vilão principal a internet, visto a facilidade e a rapidez na divulgação das informações pelos meios digitais. Opinião similar tem Valéria Mariano, dona desde 2014 da banca localizada na Avenida Armando Colângelo, no Barreto, que culpa as redes sociais pela vertiginosa queda na tiragem de publicações impressas nos últimos anos.

Reportagem divulgada pelo portal Poder360, com base em dados do Instituto Verificador de Comunicação, o IVC, registrou queda de 13,6% nas vendas físicas dos dez maiores jornais do Brasil, entre dezembro de 2020 e novembro de 2021. Número que não difere quando se trata de revistas semanais: redução de 48,3% nas vendas, no comparativo entre os anos de 2019 e 2020.

A procura por revistas, na banca da Praça do Coreto, é principalmente pelas de informação e as de automóveis, diz Kátia. Até as voltadas para o público feminino, como os de fofoca, moda ou culinária não despertam o mesmo interesse de antes. Enquanto no Barreto, Valéria aponta as infanto-juvenis, caso de gibis e mangás, como as de maior procura.

E é a busca por formar novos leitores uma das principais razões de Valéria não abrir mão do ramo. As revistas para essa fatia do público leitor são o destaque, ocupando prateleira inteira do seu comércio. Fora isso, ela faz questão de vender café e sorvete para manter a freguesia e oferecer perfumes e plantas para as mulheres, principal público que frequenta o local, ao lado dos jovens.

Novos produtos foram necessários para sobrevivência das bancas

Bancas de jornal vendem de balas até plantas para conseguirem sobreviver

No caso da banca de Kátia e Pedro, os produtos mais procurados são guloseimas, bebidas não-alcoólicas e recargas de celular e vale-transporte. Para Kátia, foi preciso o aumento na quantidade de produtos disponíveis para melhorar as vendas apesar de, até o momento, não estarem em patamar desejado pelos dois. Valéria é convicta ao falar na diversificação como a sobrevida desse tipo de comércio. Ela conclui afirmando categoricamente que quem insistir só em veículos impressos corre risco iminente de fechar as portas.

Desafios à parte, um sentimento os une: a importância que elas têm para a cidade são a força motivadora para não desistir. Encontrar pessoas e despertar em outras o gosto pelo saber são as razões de Valéria não querer parar, mesmo com as dificuldades intrínsecas a todo dono de banca de jornal. Já Pedro salienta que elas são figura presente na paisagem de locais movimentados das cidades e o mesmo não seria diferente se isso acontecesse em Arujá.

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