Lula decreta fim de leilão de gás da Petrobras e promete preços justos para o consumidor
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (2) que vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha, realizado pela Petrobras. A decisão vem após a constatação de que o produto foi vendido às distribuidoras com preços que chegavam a ser 100% maiores do que os praticados na tabela oficial da estatal.
Em entrevista à TV Record Bahia, Lula classificou o leilão como uma “cretinice” e “bandidagem”, enfatizando que a ação ocorreu mesmo com a orientação clara do governo e da própria direção da Petrobras de não aumentar o preço do GLP. O presidente garantiu que o povo brasileiro, especialmente as famílias de baixa renda, não arcará com os custos dessa operação.
“Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, declarou Lula, reforçando o compromisso do governo em garantir o acesso a bens essenciais a preços justos. A Petrobras foi contatada para comentar as declarações e aguarda retorno, com o espaço aberto para manifestação.
Leilão com Ágio de 100% Gera Críticas do Presidente
Lula expressou forte descontentamento com o resultado do leilão, que, segundo ele, ocorreu “contra a vontade da direção da Petrobras”. O presidente destacou que, mesmo com a venda do botijão de gás pela Petrobras a R$ 37 para as distribuidoras, o preço final ao consumidor chegava a R$ 160, uma disparidade que ele considera inaceitável e que indica possíveis irregularidades na cadeia de distribuição.
“Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando”, afirmou Lula, direcionando a crítica à margem de lucro excessiva aplicada por alguns elos da cadeia. O leilão em questão permitiu um ágio de até 100% sobre os preços já estabelecidos, o que, para o presidente, agrava a situação.
Impacto da Guerra no Oriente Médio e Política de Preços da Petrobras
O presidente também abordou a influência dos preços internacionais, atualmente impactados pelo conflito no Oriente Médio, sobre o mercado brasileiro de combustíveis. Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, o mercado interno é sensível a essas flutuações globais, especialmente no que tange ao óleo diesel, do qual o país importa cerca de 30% do consumo.
A estratégia de leilões com alto ágio é vista por alguns como uma forma de alinhar o preço nacional ao mercado internacional sem a necessidade de alterar diretamente a tabela de preços da Petrobras. No entanto, para Lula, essa prática prejudica o consumidor final e não reflete a realidade de um país que busca garantir o acesso a energia a preços acessíveis.
Medidas do Governo para Aliviar Preços de Combustíveis
Em resposta às pressões inflacionárias nos combustíveis, o governo federal tem implementado medidas para mitigar o impacto no bolso do consumidor. Além da redução de impostos já aplicada, uma medida provisória (MP) está em estudo para criar um subsídio ao diesel importado, com um desconto previsto de R$ 1,20 por litro.
Lula criticou também a privatização da BR Distribuidora em 2019, argumentando que a empresa poderia atuar hoje como um freio para o aumento dos preços. Ele mencionou ainda o estudo para a recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada em 2021, visando aumentar a capacidade produtiva nacional e reduzir a dependência de diesel importado, que vem com o preço de mercado internacional.
“Não é justo o que fizeram, a refinaria produz hoje menos da metade daquilo que deveria produzir. E nós precisamos da refinaria produzindo muito mais porque nós produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel”, explicou o presidente, reforçando a importância da soberania energética e da produção nacional para a estabilidade de preços.
